Bastou a cartolagem do Flamengo permitir uma semana de folga – sem amistoso ou liga fantasma – para o time apresentar um bom futebol e vencer com tranquilidade. Com a vitória de 3 a 0 sobre o Boavista, o Rubro-Negro continua vivo no Estadual.

Mas é fundamental destacar que o Flamengo não fez nada além da obrigação. Pois o triunfo de hoje sobre o clube de Saquarema não apaga os vexames anteriores em 2016: a perda de duas taças, para Ceará e Santa Cruz, a eliminação patética na tal Rio-Sul-Minas, que o clube ajudou a inventar e depois relegou ao limbo, a derrota para o Confiança pela Copa do Brasil, as sete partidas sem vitória sobre o Vasco, e o afastamento precoce da briga pela Taça Guanabara – depende de uma combinação de resultados que parece improvável para chegar ao título.

O que ocorreu até agora é de única responsabilidade dos dirigentes, que criaram um roteiro de dar inveja ao pessoal de Hollywood, obrigando o time a cruzar o país de Norte a Sul, suprimindo o tempo para os treinos

É importante ressaltar que a Comissão Técnica e os jogadores não têm culpa na lamentável trajetória da equipe de janeiro até aqui. O que ocorreu até agora é de única responsabilidade dos dirigentes, que criaram um roteiro de dar inveja ao pessoal de Hollywood, obrigando o time a cruzar o país de Norte a Sul, suprimindo o tempo para os treinos, forçando o pessoal do futebol não só a um desgaste físico formidável, mas também a permanecer distante de casa e da família. Ok. Há um consenso quase geral: o objetivo é faturar para diminuir as dívidas.

Mas não há como criar receita considerável se o time não acumular vitórias e conquistas. No próximo dia 13, quarta-feira, faz dois anos que o Flamengo ganhou seu último título, o Estadual de 2014, graças a um gol irregular, na decisão contra o Vasco.

Pitacos nos Estaduais de Rio e SP

O Vasco jogou apenas o suficiente para vencer o Madureira por 1 a 0, em São Januário. O time parecia preguiçoso, daí os muitos passes errados, e a irritação do técnico Jorginho. Na realidade, levando-se em conta várias circunstâncias, nem a derrota deixaria o time de fora das finais do Estadual. Nem por isso o árbitro Bruno Arleu de Araújo poderia deixar de assinalar um pênalti claro de Martín Silva em João Carlos no primeiro tempo.

Fluminense e Botafogo – Uma provável vitória do Fluminense sobre o Volta Redonda, amanhã no Raulino de Oliveira, deixa o time das Laranjeiras na decisão da Taça Guanabara contra o Vasco, dia 17, em Manaus. E outra do Botafogo sobre o Bangu, em São Januário, garante o Alvinegro na fase decisiva do Estadual.

São Paulo – Domingo interessante no futebol de São Paulo. Por enquanto, deu a lógica: Corinthians e Santos, os melhores do Estadual, garantiram vagas nas quartas com tranqüilidade, e jogam hoje – ambos em casa, respectivamente contra Novorizontino e Audax – para cumprir tabela, aguardando os próximos compromissos, aí sim decisivos, contra Red Bull e São Bento.

Palmeiras e São Paulo, que fizeram campanhas irregulares, com muitas críticas e cobranças de suas torcidas, se apresentam fora. O Tricolor, contra o São Bento, em Sorocaba, e o Palmeiras contra o Mogi Mirim, em Mogi. A situação do time do Morumbi é mais favorável. Já está classificado para as quartas e entra em campo apenas para definir as duas primeiras posições do Grupo C. Mas a do Porco, no B, é desconfortável. Tem 21 pontos. Se vencer, está dentro. Caso contrário, dependerá dos resultados de Novorizontino, 21, segundo colocado, São Bernardo, 20, e Ponte Preta e Ituano, 19.

São Paulo e Palmeiras, no entanto, também jogam preocupados com a Libertadores. O Tricolor, menos mal, só volta ao torneio dia 21. Soma cinco pontos no Grupo 1. E a possibilidade de obter vaga na fase seguinte é real. O River Plate-Argentina, tem oito, o The Strongest, seu próximo adversário, na Bolívia, sete. A situação do Palmeiras na competição sul-americana, no entanto, é dramática: Um empate entre Nacional e Rosário Central em Montevidéu elimina o time paulista, mesmo que vença o River Plate-Uruguai, em São Paulo. Como tem chances reduzidas na Libertadores, ficar fora da fase final do Estadual seria algo absolutamente catastrófico.




Foto: Gilvan de Souza / Flamengo