São Januário completa na próxima quinta-feira, dia 21 de abril, 89 anos de idade. Tudo começou em 1924, quando um movimento liderado por América, Botafogo, Flamengo e Fluminense impediu o Vasco de disputar o Campeonato Carioca, alegando que o clube não possuía uma “praça de esportes adequada”. O clube mandava seus jogos no campinho da Rua Moraes e Silva, junto ao Jardim Zoológico.

Mas a decisão dos demais clubes era sobretudo uma represália ao fato do Vasco ter conquistado o título de 1923 com um time formado por negros e mulatos, contrariando os interesses elitistas do futebol do Rio. Para tal, anunciaram o rompimento com a Liga Metropolitana de Desportes Terrestres (LMDT), a entidade dirigente, fundando uma outra, a Associação Metropolitana de Esportes Atléticos (AMEA). O Vasco não se deu por vencido. Permaneceu na LMDT ao lado de outros 21 clubes, quase todos do subúrbio, e organizou um campeonato paralelo, que acabou enfim conquistando.

Em 1925, Carlos Martins da Rocha, o Carlito Rocha, importante cartola do Botafogo, negociou o ingresso do Vasco na AMEA, alegando que já não era possível ignorar a importância do clube, que acabou aceito pela nova entidade, desde que mandasse seus jogos no estádio do Andarahy, à Rua Barão de São Francisco,  exatamente onde está hoje o Shopping Iguatemi. Àquela altura, no entanto, o Vasco, sob a presidência de Raul Campos, já havia iniciado um movimento para erguer o seu próprio estádio. Tempo recorde – O movimento ganhou o nome de “Campanha dos Dez Mil”, com listas correndo todo o Rio, arrecadando dinheiro de gente ligada à colônia lusa e às camadas menos favorecidas da sociedade.

Logo, somando-se doações de duas fabricantes de cervejas, o Vasco adquiriu um terreno de 65 mil metros quadrados no bairro de São Cristóvão, Zona Norte da cidade. A pedra fundamental foi lançada em 6 de junho de 1926. O projeto foi do arquiteto Ricardo Severo. A empresa encarregada da construção, a dinamarquesa Christiani & Nielsen, utilizou 6.600 barris de cimento e 252 toneladas de ferro. A obra durou apenas 10 meses.

Na quinta-feira, 21 de abril de 1927, o estádio foi inaugurado, com a presença das principais autoridades da época, incluindo o prefeito do Rio, Alaor Prata, e o próprio presidente da República, Washington Luis. A construção do estádio cruz-maltino está narrada em detalhes no livro “Memória Social dos Esportes / São Januário – Arquitetura e História”, de Hamilton e Clara Malhano, lançado em 2002 pela Editora Mauad e pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro.

Inauguração

Os ingressos para o primeiro jogo foram vendidos em quatro lojas tradicionais do Rio: na Casa Alberto, à Praça da República, na Casa Campos, à Rua Sete de Setembro, na Casa Retroz, à Rua Uruguaiana e na Casa Sportsman, à Rua dos Ourives. No dia da inauguração, o Estádio de São Januário tinha capacidade para 48.604 lugares, assim distribuídos: 22 mil para sócios, 25 mil arquibancadas, 1.500 cadeiras de curva, além de 24 poltronas e 80 cadeiras na Tribuna de Honra. Era o maior estádio da época na América do Sul. Mas o Vasco não foi feliz, perdendo de 5 a 3 para o Santos, com arbitragem, uma homenagem, de Carlos Martins “Carlito” da Rocha.

Antes do jogo inaugural, houve a benção do cardeal Sebastião Leme, o Hino Nacional, e acreditem, uma partida de basquete em quadra improvisada. O Vasco venceu a Associação Cristã de Moços por 22 a 18. Detalhes – Evangelista abriu o placar. Negrito empatou para os cruz-maltinos. Evangelista marcou outras duas vezes. Araken e Osmar ampliaram, Baiano e Pascoal descontaram. O Vasco jogou com Nélson, Espanhol, Itália, Nesi, Claudionor, Badu, Pascoal, Torterolli, Russinho, Baiano e Negrito. O técnico era o uruguaio Ramon Platero. O Santos, dirigido por Urbano Caldeira, teve Tuffy, David, Bilu, Hugo, Júlio, Alfredo, Omar, Camarão, Feitiço, Araken e Evangelista. Por questões de segurança, o estádio hoje, 89 anos depois, tem capacidade para 20.435 sentados.




A Seleção Brasileira no estádio

  • 01) 1 x 5 Argentina (15/1/39) – Copa Roca02) 3 x 2 Argentina (22/1/39) – Copa Roca03) 3 x 4 Uruguai (24/3/40) – Copa Rio Branco04) 1 x 1 Uruguai (31/3/40) – Copa Rio Branco05) 6 x 1 Uruguai (14/5/44) – Amistoso06) 6 x 2 Argentina (20/12/45) – Copa Roca07) 3 x 1 Argentina (23/12/45) – Copa Roca

    08) 3 x 2 Uruguai (1/4/47) – Copa Rio Branco

    09) 9 x 1 Equador (3/4/49) – Sul-Americano

    10) 7 x 1 Equador (24/4/49) – Sul-Americano

    11) 5 x 1 Uruguai (30/4/49) – Sul-Americano

    12) 1 x 2 Paraguai (8/5/49) – Sul-Americano

    13) 7 x 0 Paraguai (11/5/49) – Sul-Americano

    14) 2 x 0 Paraguai (7/5/50) – Copa Oswaldo Cruz

    15) 3 x 2 Uruguai (14/5/50) – Copa Rio Branco

    16) 1 x 0 Uruguai (17/5/50) – Copa Rio Branco

    17) 1 x 0 Japão (23/7/89) – Amistoso

    18) 2 x 0 Paraguai (14/7/93) – Amistoso

Total

Jogos

Vitórias

Empate

Derrotas

Gols pró

Gols contra