O ouro olímpico é um autêntico tabu na história do futebol brasileiro. O máximo que alcançamos foi a medalha de prata, três vezes com os homens e duas com as mulheres. Mas a possibilidade de ganhar em 2016, porque os Jogos são no Rio, volta a ser real.

Até a década de 1990, havia uma desculpa razoável para os fracassos: as nossas equipes, formadas por meninos, todos essencialmente amadores, eram invariavelmente prejudicadas quando enfrentavam as seleções do bloco socialista da Europa, que levavam os mesmos jogadores que disputavam Copas do Mundo, alegando – e o Comitê Olímpico Internacional aceitava – que eles não eram profissionais.

Com o fim do comunismo no Leste do Velho Continente, a justificativa que vigorava desde Helsinque acabou. Em 1996 e em 2000, como se sabe, o Brasil foi eliminado respectivamente por Nigéria e Camarões. Muita gente alegou, em tais ocasiões, que os africanos levavam vantagem porque eram “gatos”, ou seja, seus atletas tinham as idades adulteradas, sem que se pudesse, ou não houvesse interesse em prová-lo. Mas em 2008, em Pequim, caímos diante da Argentina, 3 a 0, nas semifinais, e em 2012 para o México, 2 a 1, na decisão. Pois é. Não havia mais o que dizer. Estavam no time, nessa última edição, entre outros, Neymar, Ganso e Pato. As mulheres nem de desculpa precisam, pois o futebol feminino praticamente inexiste no país.

Em 1996, levamos um esquadrão, que treinou por seis meses, e que a exemplo dos demais, também dançou. Resta, assim, como realidade, a segunda hipótese. Será que saberemos vencer enfim, agora dentro de casa?

Parece que o Brasil não consegue o ouro porque nunca deu a devida atenção ao torneio – o que nem sempre foi verdade – ou simplesmente jamais soube como ganhá-lo. Em 1996, levamos um esquadrão, que treinou por seis meses, e que a exemplo dos demais, também dançou. Resta, assim, como realidade, a segunda hipótese. Será que saberemos vencer enfim, agora dentro de casa?

Dados

Os homens disputaram 12 torneios, o primeiro em 1952, em Helsinque, o último em 2012, em Londres. Ganharam prata em 1984, em Los Angeles, em 1988, em Seul, e em 2012, além de bronzes em 1996 e em 2008. A seleção feminina esteve nas cinco edições, de 1996 a 2012. Ficou com a prata em 2004 e em 2008. No total, o masculino somou 31 vitórias, sete empates, 15 derrotas, 112 gols pró e 62 contra. Os melhores resultados foram 5 a 0 sobre Formosa (1960) e Portugal (1996). as moças têm 13 vitórias, três empates, 10 derrotas, 44 gols pró e 26 contra. O melhor resultado foi 7 a 0 sobre a Grécia, em 2004.

Vocês se lembram de Londres-2012? Vamos refrescar a vossa memória. O Brasil masculino venceu o Egito por 3 a 2, a Bielorússia por 3 a 1, a Nova Zelândia por 3 a 0, Honduras por 3 a 2, a Coreia do Sul por 3 a 0, e perdeu por 3 a 2 para o México, na decisão. O Brasil feminino começou bem: ganhou de Camarões por 5 a 0 e da Nova Zelândia por 1 a 0. Empatou com a Grã-Bretanha, 1 a 1, e foi eliminado com a derrota de 2 a 0 para o Japão, nas quartas.

Curiosidades

As Olimpíadas que o futebol masculino do Brasil disputou:

  • Helsinque-1952
  • Roma-1960
  • Tóquio-1964
  • Cidade do México-1968
  • Munique-1972
  • Montreal-1976
  • Los Angeles-1984
  • Seul-1988
  • Atlanta-1996
  • Sidney-2000
  • Pequim-2008.

O Brasil ficou de fora dos torneios de futebol por opção até 1952. E foi desclassificado nas eliminatórias sul-americanas para os Jogos em 1956, 1980, 1992 e 2004. O feminino, como dito, esteve em todas, desde que a modalidade foi incluída, ou seja, de 1996 até 2012.

Dezoito jogadores brasileiros que foram campeões mundiais disputaram Olimpíadas:

  • Jurandir, Zózimo e Vavá (1958 e 1962)
  • Gérson e Roberto Miranda (1970)
  • Taffarel, Gilmar, Jorginho, Aldair, Dunga, Bebeto e Romário (1994)
  • Dida, Roberto Carlos, Juninho Paulista, Rivaldo e Luizão (2002)
  • Ronaldo (1994 e 2002).