Dunga sabe que a Centenário será definitiva para a sua permanência no cargo, como a própria CBF andou admitindo, dadas as atuações pouco convincentes nas Eliminatórias para 2018, o que torna o trabalho mais complicado.

Dunga confirma amanhã 23 jogadores, de uma lista de 40, para a disputa da Copa América Centenário. A turma é suficiente para formar um time razoável em relação ao nível atual. Douglas Costa, Elias, Kaká, Lucas Lima, Paulo Henrique Ganso, Philippe Coutinho, Renato Augusto e William são bons jogadores. Mas, como se vê, são quase todos de meio-campo. Logo, há carências no gol, nas laterais e no ataque.

Dunga conhece futebol. É absurdo negar. Jogou em grandes clubes brasileiros, na Itália, na Alemanha e no Japão. Fez quase 100 partidas pela seleção e disputou três Copas do Mundo em  campo e uma fora. Mas tem pelo menos quatro problemas.

Sabe que a Centenário será definitiva para a sua permanência no cargo, como a própria CBF andou admitindo, dadas as atuações pouco convincentes nas Eliminatórias para 2018, o que torna o trabalho mais complicado. Outros dois: convive com o vai e volta de muitos convocados que atuam na Europa, e não pode se queixar publicamente – como torcedores e jornalistas fazem – das dificuldades que existem para formar um grupo, pois o nível do nosso futebol hoje é sofrível.

O maior dos problemas de Dunga, no entanto, é dar prioridade ao jogo defensivo, o que é um equívoco, como ficou evidente na última partida, diante do Paraguai. O time entrou retraído, como de hábito, tomou dois gols, e quando tudo parecia irremediavelmente perdido preferiu ir para cima do adversário – se o fizesse desde o começo teria vencido. Amanhã começa um novo ciclo para Dunga. Aguardemos, pois.

Foto: Rafael Ribeiro / CBF