Em janeiro, quando o Flamengo anunciou a contratação de Muricy Ramalho, escrevi na coluna que assinava no Lance!, onde permaneci por 14 anos, que o técnico não ficava mais de três meses no clube. Basta consultar a coleção. Houve quem xingasse a minha mãe na rua, afirmando que eu desejava ver a caveira do Rubro-Negro. Logo eu…

O fato é que errei por um e meio. Quem fez a previsão foi alguém que cresceu dentro do clube e sabe bem os conceitos que existem por lá. E que pouco mudaram ao longo de sua história. Pelo perfil do treinador não seria difícil perceber que ele não suportaria o cotidiano da Gávea, ou do Ninho do Urubu, não importa o local, e sim os problemas que se apresentam, que vão do excesso das cobranças diárias – da torcida, da mídia e até dos cartolas – às eternas diferenças políticas, mas principalmente pela dificuldade dos dirigentes em entenderem o que é exatamente o futebol. Diálogo complicado, não?

Pior: Muricy quase enfartou, pois as derrotas, e o fato do Flamengo ter sido eliminado em três competições, agravaram é claro as deficiências físicas do homem. Vamos concordar que o ele também andou vacilando aqui e ali, pois não definiu exatamente como o time deveria jogar, e quem seriam titulares e reservas. É triste saber que um técnico com a sua competência não será mais o comandante do Flamengo. Mas era uma tragédia anunciada. Pelo menos por mim.

Resta saber o que virá, pois os cartolas estão mais perdidos que abstêmio em bloco de carnaval. São Judas Tadeu, orai por nós…