Pois é. Ainda não foi desta vez que a Argentina conseguiu ganhar o título que persegue desde 1993, quando foi campeão continental pela última vez. O Chile, que chegou aos Estados Unidos sem muita convicção, após um período de crise, cresceu durante a competição, caminhou até a final, e derrotou o adversário nos pênaltis, após 0 a 0 em 120 minutos. Messi, o melhor jogador do mundo, isolou a sua cobrança. Bravo pegou um deles. E Francisco Silva – você conhece? – apoiador do Jaguares, do México, enfiou 4 a 2. O Chile é bi da América. Futebol é isso. Tite estava em New Jersey e viu tudo ao vivo.

O primeiro tempo teve muita pancadaria e pouco futebol. Quando a bola rolou, houve equilíbrio, e pelo menos uma oportunidade incrível desperdiçada. Na realidade, os ataques enfrentaram dificuldades para superar as defesas, tanto que só houve um chute a gol que assustou. Foi logo aos 30 segundos, quando Banega visou o cantinho direito de Bravo, e a bola saiu rente à trave.

Entre tapas e beijos, veio o lance que deveria ter deixado a Argentina em vantagem, aos 21 minutos: Beausejour atrasou para Medel, que bobeou, deixando Higuaín disparar livre, invadir a área, e esperar pela saída do goleiro, para tocar à esquerda, para fora! Medel, tentando corrigir o erro, se chocou contra a trave. Mas continuou na partida. Aos 23, Messi levantou e Otamendi cabeceou pela linha de fundo. Fosse na moldura e Bravo não alcançaria.

Aos 28, Díaz, que já recebera cartão amarelo, derrubou Messi pela segunda vez e ganhou o vermelho. O esforço coletivo do Chile impediu que a Argentina pudesse levar alguma vantagem. Aos 39, Héber Roberto Lopes advertiu Messi, alegando que a fera havia simulado pênalti. Aos 42, numa situação confusa, o árbitro brasileiro expulsou Rojo por falta violenta em Vidal. O problema é que o estádio inteiro percebeu a imagem que mostra o mediador exibindo o vermelho para Aranguiz, quem sabe por reclamação, antes de mandar o lateral argentino para fora de campo.

As equipes retornaram para a etapa final interessadas em jogar mais futebol. O time dirigido por Tata Martino um tanto cauteloso, com Mascherano de zagueiro, e procurando aproveitar a capacidade individual de seus jogadores, e o Chile ousado, arriscando a aproximação da área adversária. Aos 12, Kranevitter substituiu Di Maria, que já entrou sem condições, e não via a cor da bola. A mudança sugeria ainda maior apego ao jogo defensivo. E Aguero, mais veloz, ocupou a vaga de Higuaín, que se arrastava. E Juan Pizzi trocou Fuenzalida, outro jogador esgotado, por Puch.

O fato é que a primeira boa chance surgiu aos 34 minutos, quando Sanchez lançou Vargas, que bateu forte para ótima intervenção de Romero. Pouco depois, Aguero tira Beausejour, entra na área livre e chuta em Buenos Aires. Detalhe: Messi ainda não brilhou. Aos 45, Beausejour foi à linha de fundo e rolou para Sanchez, que acabou sendo travado no momento da conclusão.

Prorrogação. E ao contrário da previsão que com certeza muitos fizeram, os times buscaram o gol. Aos oito minutos, Puch cruzou e Vargas testou à esquerda, para a ponte de Romero. Aos nove, Aguero desviou de cabeça e Bravo fez uma defesa monumental, no ângulo direito, com um tapinha para escanteio.

E o jogo ofensivo também prevaleceu no segundo tempo, notadamente do lado argentino, pois Juan Pizzi sacou Sanchez – machucado – e Vargas, cansadão. A bola batia na frente e voltava. O Chile encolheu e passou a apostar, com chutões, num contra-ataque milagroso. Nada. Pênaltis. Sanchez e Messi perderam. Quando Francisco Silva correu o placar era de 3 a 2 para La Roja. Biglia também desperdiçou. Bravo pegou. E Silva pôs na rede: 4 a 2. O Chile é bi da América.

 

ARGENTINA 0 x 0 CHILE

Nos pênaltis: Chile 4 x 2 Argentina.

Data: Domingo, 26 de junho de 2016.

Local: Stadium MetLife, em East Rutherford / New Jersey.

Público: 82.026 espectadores.

Arbitragem: Héber Roberto Lopes, Bruno Boschilia e Kléber Lúcio Gil / Brasil.

Expulsões: Marcelo Díaz 28’ e Marcos Rojo 43’.

Nos pênaltis: Arturo Vidal (defesa Romero), Lionel Messi (para fora), Nicolas Castillo (1 a 0), Javier Mascherano (1 a 1), Charles Aranguiz (2 a 1), Sergio Aguero (2 a 2), Jean Beausejour (3 a 2), Lucas Biglia (defesa Bravo) e Francisco Silva (4 a 2).

ARGENTINA: Sergio Romero, Gabriel Mercado, Nicolas Otamendi, Ramiro Funes Mori e Marcos Rojo; Javier Mascherano, Ever Banega (Erik Lamela 5’ do 2ºt da prorrogação), Lucas Biglia e Lionel Messi; Angel di Maria (Matías Kranevitter 57’) e Gonzalo Higuaín (Sergio Aguero 75’). Técnico: Gerardo Daniel Martino.

CHILE: Claudio Bravo, Mauricio Isla, Gary Medel, Gonzalo Jara e Jean Beausejour; Marcelo Díaz, Charles Aranguíz, Arturo Vidal e José Fuenzalida (Edson Puch 80’); Alexis Sanchez (Francisco Silva 12’ do 1ºt da prorrogação) e Eduardo Vargas (Nicolas Castillo 3’ do 2ºt da prorrogação). Técnico: Juan Antonio Pizzi (Argentina).

 

Foto: Conmebol