É bastante provável que o Brasil tenha um novo treinador até julho, pois com a derrota de 1 a 0 para o Peru, em Massachussets, e a consequente eliminação na fase inicial da Copa América Centenário, Dunga não deverá ser mantido. A CBF terá a necessidade de fazê-lo, dado que a própria entidade, há dois meses, afirmou que o torneio seria o último teste para o capitão do tetra. Após tantos vexames consecutivos, só resta agora perder a vaga para a Copa do Mundo de 2018. E pouco importa se o gol da vitória peruana foi ilegal.

O Brasil até mostrou alguma movimentação na primeira etapa. No entanto começou a repetir as jogadas, sem variação alguma, principalmente no tempo final, o que acabou facilitando a vida do adversário. Mais grave: correu risco o tempo inteiro, pois a derrota classificava o Peru, o que, por mais incrível que possa ser, aconteceu de verdade. Dunga não mexeu no time depois do gol, e os jogadores voltaram a se comportar como robôs, não ousando, em momento algum, desobedecer as ordens do professor.

É a primeira vez, desde 1987, que o Brasil fica fora da segunda fase da Copa América – naquela ocasião foi defenestrado pelo Chile, com a queda de 4 a 0, em Córdoba, na Argentina. E foi a primeira derrota para o Peru – na história – desde 1985.

O Brasil teve o controle do jogo e esteve no ataque ao longo de todo o primeiro tempo. Criou três boas chances, mas não soube, na prática, marcar gol. Aos 26 minutos, Gabriel, numa virada esperta, procurou o canto esquerdo, mas Gallese estava atento, e mandou – de ponta de dedo – para escanteio. Aos 35, Filipe Luís cruzou para William, que alcançou a bola, mas tocou por cima da baliza. Aos 40, Gabriel, novamente, bateu de dentro da área, para outra ótima intervenção do goleiro. O lado negativo: aos 44, Renato Augusto calçou Flores, e o árbitro Uruguai Andrés Cunha ignorou o pênalti, muito reclamado pelos peruanos.

No intervalo, Ricardo Gareca trocou Balbín por Yotún, sinalizando que seu time seria mais ofensivo, pois o ex-lateral do Vasco também joga como apoiador. Logo aos três minutos, ele, Yotún cobrou falta no ângulo esquerdo, mas Alisson espalmou. Pois é. O Peru de fato, até por extrema necessidade, avançou, deixando mais espaços para o Brasil progredir.

O time, no entanto, errava passes em excesso na frente, e pior, permitia que o adversário, vez por outra, saísse em contra-ataques rápidos, tentando apanhar a defesa amarela desatenta, embora não mostrasse competência para tal. O placar ficou em aberto. Gareca pôs outro atacante, Ruidíaz, no lugar de Flores, que não rendia o suficiente.

Aos 26, Dunga sacou Gabriel e lançou Hulk. As esperanças de gol para o Brasil diminuíram, porque o atacante do Zenit é inimigo da bola. Aos 28, Polo foi à linha de fundo, e levantou para Ruidíaz empurrar para dentro com a mão direita. Foram seis minutos de paralisação, muita confusão, até que a arbitragem, em colegiado, confirmasse o gol.

Dunga permaneceu imóvel. Seu time não esboçou reação. Aos 45, Elias, livre na pequena área, ao acaso, perdeu a chance mais clara da partida, empurrando, de maneira bizarra, a bola nas mãos de Gallese.

O Peru enfrentará a Colômbia, sexta-feira, dia 17, em East Rutherford, em New Jersey. E o Brasil volta para casa. Um horror.

BRASIL 0 x 1 PERU

Data: Domingo, 12 de junho de 2016.

Competição: Copa América Centenário / Grupo B / 3ª rodada.

Local: Estádio Gillette, em Foxborough-Massachussets (Estados Unidos).

Arbitragem: Andrés Ismael Cunha Soca, Nicolas Alfredo Tarán Mendez e Richard Fabián Trinidad Díaz Mendez / Uruguai.

Gol: Raúl Ruidíaz 73’.

BRASIL: Alisson (Roma / Itália), Daniel Alves (Barcelona / Espanha), Miranda (Internazionale / Itália), Gil (Shandong Luneng / China) e Filipe Luís (Atlético Madrid / Espanha); Elias (Corinthians / SP), Renato Augusto (Beijing Guoan / China), Lucas Lima (Santos / SP) e William (Chelsea / Inglaterra); Philippe Coutinho (Liverpool / Inglaterra) e Gabriel (Santos / SP) depois Hulk (Zenit Saint-Petersburg / Rússia) 71’. Técnico: Carlos Caetano Bledorn Verri – Dunga.

PERU: Pedro Gallese (Juan Aurich), Aldo Corzo (Deportivo Municipal), Christian Ramos (Juan Aurich), Alberto Rodriguez (Sporting Cristal) e Miguel Trauco (Universitario de Deportes); Adán Balbín (Universitario de Deportes) depois Yoshimar Yotún (Malmö / Suécia) – intervalo, Oscar Vilchez (Alianza Lima), Andy Polo (Universitario de Deportes) e Christian Cueva (Toluca / México) depois Renato Tapia (Feyenoord / Holanda) 90’; Edison Flores (Universitario de Deportes) depois Raúl Ruidíaz (Universitario de Deportes) 63’ e Paolo Guerrero (Flamengo-RJ / Brasil). Técnico: Ricardo Alberto Gareca Nardi (Argentina).

Foto: Alfredo Duarte / Conmebol