O ainda jovem Diego, aos 26 anos de idade, no auge da forma física e técnica, passou a derrubar as barreiras. Nas duas primeiras fases da Copa, dividiu-se entre a tarefa de orientar os companheiros, e a de deixá-los, invariavelmente na cara do gol

Se Garrincha teve importância fundamental para o Brasil na conquista da Copa de 1962, no Chile, Diego Armando Maradona foi a própria Argentina na de 1986, no México. Não houve um único jogador capaz de rivalizar com o craque. Sem ele, a sua Seleção não teria celebrado a conquista do Mundial, que completa 30 anos no próximo dia 29 de junho.

Assim, ciente de que possuía um gênio capaz de desmontar todo e qualquer esquema, o astuto treinador Carlos Bilardo armou todo o seu sistema de jogo em torno da movimentação de Dieguito, escolhendo, para coadjuvá-lo, cinco jogadores-chave: o goleiro Nery Pumpido, o zagueiro Oscar Ruggeri, os meias Sergio Batista e Jorge Burruchaga e o atacante Jorge Valdano. Eram todos dotados de regularidade e experiência. Foi o suficiente.

Bilardo chegou ao auge como jogador em 1968, ganhando o título mundial com o Estudiantes de La Plata. Mas conhecia futebol. Assumiu a Seleção em 1983, substituindo Cesar Menotti. Passou três anos estudando os adversários. Tinha plena consciência de que nenhum deles poderia ter, como ele, alguém capaz de desequilibrar jogos inteiros. Pelo menos entre as seleções tradicionais. A Itália não tinha mais Paolo Rossi. O francês Michel Platini jogaria, aos 31 anos, a sua terceira Copa. No Brasil, Falcão, Zico e Sócrates eram interrogações. O alemão Rummenigge era outro que vivia dias de incerteza. O inglês Lineker e o espanhol Butragueño não eram páreo para Maradona, suspeitou Bilardo.

Logo, o ainda jovem Diego, aos 26 anos de idade, no auge da forma física e técnica, passou a derrubar as barreiras. Nas duas primeiras fases da Copa, dividiu-se entre a tarefa de orientar os companheiros, e a de deixá-los, invariavelmente na cara do gol. A partir das quartas, resolveu ele mesmo decidir. Fez quatro gols antológicos – um de mão, a “mão de Deus”, como explicou – contra a Inglaterra e a Bélgica, e um lançamento de 40 metros que deixou Burruchaga livre para marcar o gol da vitória de 3 a 2 sobre a Alemanha, na decisão. Diego Armando Maradona foi o Garrincha de 1986.

Currículos – Maradona nasceu em 30 de outubro de 1960, em Buenos Aires. Jogou pelo Argentinos Juniors-ARG (76/80), Boca Juniors-ARG (81 e 95/97), Barcelona-ESP (82/84), Napoli-ITA (84/91), Sevilla-ESP (92) e Newell’s Old Boys-ARG (93). Em clubes, ganhou o Argentino (81), a Copa da Espanha (83), o Italiano (87 e 90), a Copa da Itália (87), a Copa da Uefa (89) e a Supercopa da Itália (91). Na Seleção Argentina, fez 91 partidas e 34 gols, entre 27 de fevereiro de 1977 (Argentina 5 x 1 Hungria – amistoso) e 25 de junho de 1994 (Argentina 2 x 1 Nigéria – Copa do Mundo). Com a camisa azul e branca, conquistou o Mundial (86) e a Copa Hispanidad (88).

Carlos Salvador Bilardo nasceu em 16 de março de 1945, em Buenos Aires. Somou, dirigindo a Seleção, 28 vitórias, 30 empates e 23 derrotas, entre 12 de maio de 1983 (Argentina 2 x 2 Chile – amistoso) e 8 de julho de 1990 (Argentina 0 x 1 Alemanha Ocidental – Copa do Mundo). Ganhou a Copa Felix Bogado (83), a Copa Jawaharlal-India (84), a Copa do Mundo (86) e a Copa Hispanidad, Espanha (88).

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