O técnico Dunga e o coordenador de seleções Gilmar Rinaldi terão amanhã uma reunião com o presidente da CBF, Marco Polo Del Nero, para resolver qual será o próximo passo da entidade: manter a dupla, e é claro, a turma toda que ambos levaram para a Seleção, ou demiti-los, contratando um novo treinador, que possa mandar para escanteio tudo de ruim que gira em torno da equipe, notadamente a mentalidade de cartolas que atribuem os fracassos ao “imponderável”, e dos jogadores, que formam um espírito corporativista, insistindo em disfarçar os maus resultados com declarações que não passam de lugar-comum. Pior, que jamais desobedecem as orientações dos professores, ou seja, não ousam criar no campo nada de diferente do que a comissão técnica determina.

Neymar, que não participou do fiasco, jogou nas redes sociais um comentário dirigido aos seus colegas, que serve de exemplo para o que se diz. “Agora vai aparecer um monte de babaca para falar”. Nós, jornalistas, estamos sem dúvida nessa relação ao que o atacante do Barcelona se refere. É necessário modificar a infraestrutura do núcleo da CBF que manda no futebol, e o pensamento retrógado dos atletas, que precisam assumir os vexames, e não agredir com palavras quem, pela lógica, tornam óbvios tais malogros.

Na prática, Dunga pode até nem ser o grande cristo de todo o vexame, pois há uma hierarquia, e o treinador tem superiores, mas deveria solicitar a sua demissão, alegando que o trabalho simplesmente não deu certo. O Brasil foi eliminado nas quartas de final da Copa América 2015, está sexto lugar nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2018 – hoje estaria fora do torneio – e acaba de dançar na competição continental centenária.

Ninguém tem a certeza que haverá um novo técnico, como confirmou a assessoria de imprensa da CBF, que às 19h15min – daqui – estava na fila de embarque para o Brasil. Mas é absolutamente necessário lembrar que a última tragédia da série que começou na queda da Seleção nas quartas da Copa América de 2011 seria ficar fora do próximo Mundial.

 

Foto: reprodução CBF