A Islândia protagonizou a primeira vingança da União Europeia contra os britânicos, que decidiram deixar a entidade na sexta-feira passada, provocando um punhado de protestos de países do continente. A seleção do país de pouco mais de 300 mil habitantes, sem qualquer representatividade no futebol, eliminou a Inglaterra da Eurocopa, com vitória de 2 a 1, de virada, em Nice.

Pior: Mick Jagger, o famoso pé-frio, estava no estádio. A cantora Björk e o vulcão Eyjafjallajökull – símbolos da Islândia – também vão entrar em erupção. Só o futebol é capaz de proporcionar algo igual. Qual foi o outro momento em que a população da terra do gelo viveu mobilização como esta? Próxima atração: Islândia x França.

A Inglaterra abriu o placar logo aos quatro minutos, com Rooney cobrando pênalti de Halldórsson em Sterling, e impressão foi a de que a goleada seria inevitável. O engano veio na velocidade do som. Aos cinco, Gunnarsson bateu lateral, Arnason desviou de cabeça, e Ragnar Sigurdsson, que acompanhava o lance, empatou. Um acaso, devem ter insistido os mais céticos. Nem tanto. Aos 17, após uma troca de passes que envolveu a zaga britânica, Sigthórsson recebeu de Bödvarsson e chutou com consciência à esquerda de Hart, que tocou na bola, mas não a impediu de entrar: 2 a 1.

A Inglaterra tinha mais posse de bola, mas esbarrava na barreira armada pelos técnicos Halgrimsson e Lagerbäck, embora a seleção da terra do gelo continuasse, vez por outra, ameaçando os ingleses em contra-ataques. Um chute de Harry Kane, aos 28, para defesa de Halldórsson, foi a única ameaça ao goleiro. No fim, Gunnarsson puxou Smalling pela camisa, na área, mas o árbitro não viu o pênalti.

A Inglaterra trocou Dele Alli por Wilkshere para o segundo tempo, para tornar a equipe mais ofensiva, o que de fato ocorreu, mas a Islândia reforçou o ferrolho, e o time de Roy Hodgson não conseguia mostrar criatividade para superá-lo. Jamie Vardy, o artilheiro do campeão Leicester, substituiu Sterling, que ciscava muito e não produzia nada.

O pior, para o English Team, é que ainda corria o risco de levar o terceiro gol, pois o adversário, organizado sob o aspecto tático, em raras ocasiões saía com rapidez, e quando o fazia, assustava. Saevarsson quase acerta o ângulo esquerdo. E Gunnarsson obrigou Hart a praticar grande defesa, a cinco minutos do fim do tempo regulamentar. Aos 41, Rooney saiu para a entrada de Rashford, a jovem fera do Manchester United. Aos 45, Hart, o goleiro inglês se mandou para a área contrária. Inútil. A Islândia está nas quartas. “Os nossos compatriotas são de fato o nosso 12º jogador. Incrível”, resumiu Ragnar Sigurdsson.

 

INGLATERRA 1 x 2 ISLÂNDIA

Data: Segunda-feira, 27 de junho de 2016.

Competição: Copa de Nações da Europa / Oitavas de final.

Local: Stade Allianz Riviera, em Nice / França.

Arbitragem: Damir Skomina, Jure Praprotik e Robert Vukan / Eslovênia.

Gols: Wayne Rooney 4’ (pênalti), Ragnar Sigurdsson 5’ e Kolbeiann Sigthórsson 17’.

INGLATERRA: Joe Hart, Kyle Walker, Gary Cahill, Chris Smalling e Danny Rose; Delle Ali, Eric Dier (Jack Wilshere – intervalo), Wayne Rooney (Marcus Hashford 86’) e Daniel Sturridge; Raheem Sterling (Jamie Vardy 59’) e Harry Kane. Técnico: Roy Hodgson.

ISLÂNDIA: Hannes Halldórsson, Birkir Saevarsson, Ragnar Sigurdsson, Kári Árnason e Ari Skúlason; Aron Gunnarson, Gylfi Sigurdsson, Kolbeinn Sigthórsson (Elmar Bjarnasson 77’) e Jon Bödvarsson (Arnar Traustason 88’); Birkir Bjarnason e Johan Gundmundsson. Técnicos: Heimir Halgrimsson e Lars Lagerbäck.

 

Foto: reprodução site UEFA