Gales ou Portugal. Um deles decidirá a Eurocopa. O duelo será na próxima quarta-feira, dia 6, em Lyon. Gales praticou um futebol solidário, de muita obediência tática, e surpreendeu a Bélgica, que no íntimo se considerava favorita, por 3 a 1, em Lille, e garantiu a vaga nas semifinais. Aaron Ramsey, no aspecto individual, e Gareth Bale, no coletivo, saíram como destaques.

Vale lembrar que é a primeira presença da seleção britânica num torneio oficial desde a Copa do Mundo de 1958, na Suécia, quando foi eliminada nas quartas, pelo Brasil, com um gol mágico de Pelé.

As equipes fizeram um ótimo jogo. A Bélgica começou em alta velocidade, imprensando o adversário, procurando o gol a todo custo. Aos seis minutos, um bombardeio: Carrasco, Meunier e Hazard chutaram em sequência, a bola bateu três vezes na zaga e acabou indo para escanteio.

Gales tentava resistir. E se mantinha de tal forma recuado, sem saber como sair de trás, que aos 13 Hazard rolou para Nainggolan, que mandou uma pancada no ângulo direito – Hennessey ainda esboçou reação, mas não conseguiu segurar: 1 a 0. A TV registrou que o belga estava a 27 metros da baliza, e que o arremate chegou a 105 quilômetros.

O time dirigido por Marc Wilmots mandava efetivamente no jogo. Tanto que aos 23, Gunter, Chester e Davies já haviam recebido cartões amarelos. O problema é que o técnico orientou a sua equipe a diminuir o ritmo, e preservar a vantagem, dando vida aos britânicos, que passaram a se organizar, tendo Bale, é claro, como referência. Passaram a ganhar o meio-campo e a ameaçar.

Aos 31, Ramsey cobrou escanteio e Williams, livre de marcação, cabeceou à direita: 1 a 1. Gales seguiu mais presente. O próprio Williams quase repete a dose, pouco depois, em falha semelhante da defesa.

A Bélgica voltou para a etapa derradeira com Fellaini no lugar de Carrasco, com o objetivo de melhorar o passe e aproveitar as bolas altas, dado que o apoiador do Manchester United tem 1,94. E buscando novamente o gol. Romelu Lukaku perdeu boa chance aos dois minutos. E Hazard, em jogada característica, livrou dois zagueiros e chutou cruzado, rente à trave esquerda.

Mas Gales já não era tão omisso como no começo da partida. Aos nove, Ramsey invadiu a área, e cruzou para Robson-Kanu, que fez belo giro sobre Meunier e Fellaini, para concluir à direita de Courtois: 2 a 1. O time de Chris Coleman recuou, dificultando a articulação do adversário a partir da intermediária, mas começou a ser cada vez mais pressionado. Fellaini desperdiçou duas oportunidades entre os 28 e os 30. Coleman trocou Ledley por King para dar mais fôlego ao meio. E lançou Vokes no lugar de Robson-Kanu, para ganhar velocidade nos contra-ataques.

Aos 41, Gunter avançou pela direita e cruzou na cabeça de Vokes, que desviou à direita: 3 a 1. Falharam Denayer, que não alcançou a bola, e Alderweireld, que chegou atrasado. Fim de papo. “Eu já havia avisado que não viemos aqui para nos divertir”, resumiu Coleman. Pois é. A taça ainda pode cruzar o Canal de Mancha.

 

GALES 3 x 1 BÉLGICA

Data: Sexta-feira, 1º de julho de 2016.

Competição: Copa da Europa de Nações / Quartas de final.

Local: Stade Pierre-Mauroy, em Lille / França.

Arbitragem: Damir Skomina, Jure Praprotnik e Robert Vukan / Eslovênia.

Gols: Radja Nainggolan 13’, Ashley Williams 31’, Hal Robson-Kanu e Sam Vokes 86’.

GALES: Wayne Hennessey, James Chester, Ashley Williams e Ben Davies; Cris Gunter, Aaron Ramsey (James Collins 88’), Joe Ledley (Andy King 77’), Joe Allen e Neil Taylor; Hal Robson-Kanu e Gareth Bale. Técnico: Chris Coleman.

BÉLGICA: Thibaut Courtois, Thomas Meurier, Toby Alderweireld, Jason Denayer e Jordan Lukaku (Dries Martens 76’); Radja Nainggolan, Axel Vitsel, Yannick Carrasco (Marouane Fellaini – intervalo) e Kevin de Bruyne; Eden Hazard e Romelu Lukaku (Michy Batshuayi 82’). Técnico: Marc Wilmots.