Fundamental: Obdulio também foi líder fora do campo, como principal diretor da “Mutual Uruguaya de Jugadores de Fútbol”. A entidade, que congregava todos os atletas de Primeira e Segunda Divisão, tornou-se responsável pela greve que paralisou as atividades esportivas entre 14 de outubro de 1948 e 3 de maio de 1949, quando o Governo do presidente Luis Battle Berre atendeu às exigências que a classe reivindicava desde a implantação do profissionalismo.o grande herói.

Faz 20 anos no próximo dia 2 de agosto de 2016 da morte do maior jogador uruguaio de todos os tempos, Obdulio Jacinto Varela, o homem que conduziu a Celeste ao título mundial de 1950, roubando a Jules Rimet do Brasil em pleno Maracanã, no dia 16 de julho de 1950.

Obdulio, conhecido em seu país como “El Negro Jéfe”, nasceu em Montevidéu em 20 de setembro de 1917, teve uma infância pobre, e começou a entrar para a história do futebol – e do próprio Uruguai – com 13 anos de idade, quando passou a defender o Fortaleza, pequeno time do bairro de La Comercial. O talento e principalmente a liderança que exercia sobre os companheiros, fez o jovem Obdulio trocar sucessivamente de clubes – Dublin, Pascual Somma, Deportivo Juventud – até chegar ao Montevideo Wanderers, em 1938, e à Seleção nacional, em 1939.

E embora o futebol no seu país já fosse profissional desde 1931, o grande centro-médio só foi contratado por um dos gigantes do Uruguai em 1943, após ganhar o Campeonato Sul-Americano de 1942. Obdulio estreou no Peñarol em 17 de abril de 1943. Defendeu o “Aurinegro” até encerrar a carreira, em 29 de junho de 1955, na derrota de 4 a 1 para o América-RJ, em São Januário, pelo Torneio Charles Miller, ganho pelo Corinthians.

Disputou duas Copas do Mundo (1950 e 1954) e levantou 18 títulos nacionais e internacionais. Em 1973, o jornalista Radamés Mancuso publicou “Obdulio, El Último Capitán”, biografia do grande craque.

Líder também fora do campo – É importante lembrar que Obdulio Varela contou na carreira com a colaboração do cronista Dionisio Alejandro Vera, o primeiro a destacar as suas muitas qualidades em publicação nacional, no semanário “El Mundo Uruguayo”, em 1938, e de Carlo Calomagno, técnico do Fluminense no tri carioca de 1936-37-38, que dirigiu o Montevideo Wanderers no começo da década de 40.

Fundamental: Obdulio também foi líder fora do campo, como principal diretor da “Mutual Uruguaya de Jugadores de Fútbol”. A entidade, que congregava todos os atletas de Primeira e Segunda Divisão, tornou-se responsável pela greve que paralisou as atividades esportivas entre 14 de outubro de 1948 e 3 de maio de 1949, quando o Governo do presidente Luis Battle Berre atendeu às exigências que a classe reivindicava desde a implantação do profissionalismo.

Equilíbrio antes do duelo – Quando as seleções de Brasil e Uruguai pisaram no gramado do Maracanã, no dia 16 de julho de 1950, para decidir a quarta Copa do Mundo, as duas equipes já haviam duelado 30 vezes. O Brasil vencera 13, o Uruguai outros 11, além de seis empates. Existia, portanto, um indisfarçável equilíbrio. O retrospecto deixava transparecer, também, que, neste confronto, nem sempre se poderia apontar um favorito. O Brasil vencera oito vezes em casa, e o Uruguai, outras seis. O Brasil triunfara em três partidas disputadas em campo neutro, e duas, no terreno do adversário. O Uruguai ganhara três jogos em seus domínios, e dois, dentro do território inimigo. A euforia que se formara em torno da vitória brasileira, era, portanto, injustificável.

Mesmo porque no dia 6 de maio de 1950, exatos 70 dias antes da decisão do Mundial, o Uruguai vencera o Brasil por 4 a 3, em pleno Pacaembu, na partida em que estiveram em ação pelo menos 12 jogadores presentes à finalíssima da Copa: Barbosa, Zizinho, Ademir, Jair, Chico, Maspoli, Matias Gonzalez, Obdulio Varela, Rodrigues Andrade, Perez, Miguez e Schiaffino. Depois do “Maracanazo”, o Brasil só perdeu uma vez para o Uruguai em casa: 2 a 1, num amistoso em 25 de novembro de 1992, em Campina Grande, na Paraíba.

Veja abaixo a ficha.

Foto: Reprodução
OBDULIO VARELA

OBDULIO VARELA

Nascimento: 20 de setembro de 1917

Falecimento: 2 de agosto de 1996

Clubes no profissionalismo: Montevideo Wanderers (1938-1942) e Peñarol (1943-1955)

Seleção do Uruguai: 45 jogos e 9 gols (29/01/1939-26/06/1954). O recorde na Seleção é do ex-goleiro do Santos Rodolfo Rodriguez, que disputou 78 partidas pela Celeste entre 6/10/1976 e 21/04/1986

Títulos por clubes: Copa Escobar-Gerona (1943), Torneio Competência do Uruguai (1943, 46, 47, 49, 51, 53) e Campeonato do Uruguai (1944, 45, 49, 51, 53, 54)

Títulos pela Seleção: Copa Rio Branco (1940, 46, 48), Campeonato Sul-Americano (1942) e Copa do Mundo (1950