Éder Lopes nasceu na Guiné-Bissau, ex-colônia lusa na África, e se fez herói da antiga pátria-mãe aos 28 anos de idade, ao marcar, no segundo tempo da prorrogação, o gol que deu a Portugal a vitória de 1 a 0 sobre a França, e o primeiro título europeu do país. Uma conquista absolutamente heróica, obtida dentro da casa dos anfitriões, diante de pelo menos 60 mil azuis.

Como se não bastasse, e para ampliar a façanha, é fundamental ressaltar que Portugal ficou em desvantagem praticamente aos 10 minutos, quando Cristiano Ronaldo machucou o joelho esquerdo, após choque casual com Payet. Com a saída do atacante, a seleção vermelha e verde perdeu também a sua principal jogada, os contra-ataques velozes para as finalizações eventualmente fatais do craque.

Há que lembrar ainda três fatos: o time campeão era inferior no aspecto técnico a alguns adversários, definiu a sua formação durante o torneio, com as várias mudanças promovidas pelo técnico Fernando Santos, e foi obrigado a disputar prorrogações em sequência. Talvez não fosse absurdo afirmar que os franceses subestimaram o adversário. Aliás, esse presidente François Hollande é um tremendo pé-frio. Ninguém, sequer os portugueses, falando francamente, apostariam que Portugal seria o campeão.

A França começou partindo efetivamente em busca do gol, e Portugal não só recuado, como um tanto atrapalhado, daí as oportunidades que surgiram nos primeiros 22 minutos. Aos nove, Payet levantou para Griezmann, que desviou de cabeça para defesa espetacular de Rui Patrício. Aos 21, Sissoko chutou forte, a bola bateu na zaga e foi para escanteio. Aos 25, Cristiano Ronaldo, após duas tentativas de permanecer, desistiu do jogo, sendo substituído por Quaresma.

Mesmo assim, Portugal conseguiu neutralizar o adversário, mesmo que também não criasse chances. À exceção de Sissoko, que ainda acertou uma pancada, para nova intervenção do goleiro, a França aceitou a marcação lusa. Quem esperava um segundo tempo mais emocionante, teve que se contentar com um jogo morno, de muita troca de passes e pouca objetividade.

Numa tentativa de mudança, Didier Deschamps trocou Payet, em dia ruim, por Coman. Aos 20, Griezmann cabeceou por cima, numa das raras ocasiões de perigo. Aos 21, Fernando Santos lançou João Moutinho na vaga de Adrien Silva, que vinha mal. A França, na prática, tinha maior posse da bola, e após meia hora começou a apertar, enquanto a seleção lusa recuava instintivamente, sem, no entanto, abrir mão de atacar. Nessa marca, Giroud bateu forte de canhota, e Rui Patrício disse presente.

Na realidade, com o tempo se esgotando, os times entenderam que seria importante evitar a prorrogação. Aos 34, Nani tentou encobrir Lloris, que se esforçou para impedir o gol. Aos 38, Sissoko acertou um pancadão de longe, e lá estava ele, o valente Rui Patrício, para rebater. Aos 45, Gignac, que substituiu Giroud, tirou Pepe do lance, e mandou na trave direita. Ficou evidente, ali, que as equipes disputariam o tempo extra. E assim se fez.

O jogo se manteve equilibrado. Como registro, na primeira etapa, a cabeçada de Éder Lopes, para defesa, no susto, de Lloris. E eis que aos quatro do tempo derradeiro, Éder Lopes arriscou o chute da intermediária, acertando o canto direito dos franceses. “Fomos incríveis. É muito merecido. Cristiano disse que eu faria o gol da vitória”, revelou o herói, celebrando o maior feito da história do futebol português.

 

FRANÇA 0 x 1 PORTUGAL

Data: Domingo, 10 de julho de 2016.

Local: Stade de France, em Saint-Denis / França.

Público: 75.868 espectadores.

Arbitragem: Mark Clattenburg, Jake Collin e Simon Beck / Inglaterra.

Gol: Éder Lopes 4’ 2º tempo prorrogação.

FRANÇA: Hugo Lloris, Bacary Sagna, Samuel Umtit, Laurent Koscielny e Patrice Evra; Moussa Sissoko (Anthony Martial 5’ 2º tempo prorrogação), Blaise Matuidi, Antoine Griezmann e Paul Pogba; Dimitri Payet (Kingsley Coman 58’) e Olivier Giroud (André-Pierre Gignac 73’). Técnico: Didier Deschamps.

PORTUGAL: Rui Patrício, Cédric, Bruno Alves, José Fontes e Raphael Guerreiro; William Carvalho, Adrien Silva (João Moutinho 66’), Renato Sanches (Éder Lopes 73’) e João Mário; Cristiano Ronaldo (Ricardo Quaresma 25’) e Nani. Técnico: Fernando Manuel Costa Santos.

 

Foto : Twitter @UEFAEURO