Zubeldia é considerado o primeiro técnico sul-americano a recorrer ao “futebol de resultados”. Eram prioridades da sua cartilha: utilizar sempre que possível a tática do impedimento, parar a saída de bola do oponente com faltas, e abusar do antijogo, se necessário com violência

O argentino Osvaldo Zubeldia nasceu em Junín em 10 de junho de 1927. Parou de jogar em 1960. Ganhou fama ao livrar o Estudiantes do rebaixamento em 1965. E permaneceu por lá para aplicar os métodos de treinamento e os expedientes pouco esportivos que levaram o time de La Plata ao título nacional de 1967, ao tricampeonato da Copa Libertadores entre 1968 e 1970, e ao Mundial Interclubes em 1968.

Zubeldia é considerado o primeiro técnico sul-americano a recorrer ao “futebol de resultados”. Eram prioridades da sua cartilha: utilizar sempre que possível a tática do impedimento, parar a saída de bola do oponente com faltas, e abusar do antijogo, se necessário com violência – reza a lenda que o seu meia Carlos Bilardo, ele mesmo, o futuro treinador campeão do planeta em 1986, entrava em campo com alfinetes nas mãos.

Era hábito de Zubeldia ver e rever os teipes dos adversários, anotando-lhes as virtudes e os defeitos. Repetia exaustivamente um repertório de jogadas ensaiadas, algumas para criar, a maioria para destruir. Não disfarçava a alegria quando lhe cabia jogar com o regulamento sob o braço. Dirigiu também o Huracan, o Velez Sarsfield e o San Lorenzo, antes de seguir para o Atlético de Medellín, da Colômbia, onde ganhou os títulos nacionais de 1976 e 1981. Zubeldia morreu em Medellín, vítima de ataque cardíaco, em 17 de janeiro de 1982.

O conterrâneo Juan José Pizzuti representou a antítese de Zubeldia, numa época em que o futebol argentino vivia uma obscura fase de defensivismo. Pizzuti nasceu em Buenos Aires em 9 de maio de 1927. Ex-craque da seleção de seu país, iniciou a carreira de técnico no modesto Chacarita da capital em 1964. Inspirou-se no trabalho de José Maria Minella, que acabara de conquistar com o “scratch platino”, contrariando todas as previsões, a Taça das Nações promovida pelo Brasil. Disputaram-na o país anfitrião, a Argentina, a Inglaterra e Portugal. E a Argentina levantou o caneco, após surrar o Brasil em pleno Pacaembu, sem choro nem vela, por 3 a 0.

E se Minella – morreu aos 72 anos em 13 de agosto de 1981 – é lembrado hoje apenas por tal façanha, Pizzuti entrou para a história do futebol por ter montado o fabuloso Racing campeão nacional em 1966, sul-americano e mundial em 1967. Pizzuti contou, em tal trajetória, com gente do quilate do goleiro Cejas, do zagueiro Perfumo, do meia-atacante Maschio e do centroavante Cardenas. O homem não tinha o menor receio de mandar o time à frente. Até hoje a velha guarda da imprensa argentina lamenta que não tenha sido Pizzuti, mas o ex-craque Adolfo Pedernera, o encarregado de conduzir a seleção “Albiceleste” nas eliminatórias para o Mundial de 1970, quando a equipe foi desqualificada pelo Peru, com o empate de 2 a 2, em plena Bombonera.

Pizzutti assumiu a seleção após a Copa do México e permaneceu no cargo até julho de 1972, quando a equipe deixou a Taça Independência promovida pelo Brasil derrotada pela Iugoslávia. Ainda regressou ao Racing em outras três ocasiões – 1974, 1983 e 1993, quando preferiu largar o futebol para cuidar de sua companhia de seguros, em Buenos Aires. Hoje, aos 89 anos de idade, está aposentado.

 

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