Figueirense 4 a 2 Flamengo. Pois é. Os cartolas rubro-negros fazem um esforço para reforçar o time, gastam dinheiro com contratações e salários, mas como sabem pouco de futebol, não só consideram que têm um esquadrão – conseguem até iludir sua torcida – como permitem que a Comissão Técnica mande para campo um misto sem pé, nem cabeça, numa competição internacional, que não só paga bons prêmios por classificação, como vale vaga para a próxima Libertadores.

Assim, o Figueirense, 18º colocado no Brasileiro, brigando contra rebaixamento, aproveita a oportunidade, enfia quatro, e só não faz mais porque entendeu que estava de bom tamanho. Apesar de tudo, se o Flamengo vencer por 2 a 0, dia 31, em Cariacica-ES, garante a vaga, para enfrentar Real Garcilaso / Peru ou Palestino / Chile.

O jogo começou igual, com os times buscando o ataque, mas com a zaga rubro-negra falhando seguidamente nos cruzamentos. Aos quatro minutos, Ayrton cobrou falta, e Rafael Moura marcou de cabeça, mas o gol foi anulado, pois vários jogadores estavam em posição irregular, incluindo o centroavante. Aos cinco, e depois aos oito, Chiquinho e Cuellar tentaram surpreender Fernandez, com chutes longos. Sem sucesso. Aos 10, Lins e Ferrugem trocaram passes, e Rafael Moura concluiu à esquerda: 1 a 0. Aos 12, Guerrero finalizou, e Alan Patrick apanhou a sobra, para colocar à direita: 1 a 1. Aos 11, Ayrton bateu outra infração, bola alta, e Marquinhos testou para fazer 2 a 1. Aos 19, William Arão, sem marcação na área, bateu ao seu melhor estilo, completamente torto, para fora.

O Figueirense se fechava bem atrás, deixando que o Flamengo esbarrasse em sua mediocridade, e ainda aproveitava as limitações de sua retaguarda. Aos 26, Donatti, sozinho, caiu sentado, Rafael Moura apanhou a bola, entrou na área e encobriu Paulo Victor, num belo gol: 3 a 1. Nenhuma mudança no intervalo. O Figueirense voltou com a mesma disposição. Aos dois minutos, Ayrton cobrou mais uma falta, Rafael Moura voltou a cabecear, e Paulo Victor falhou – de novo: 4 a 1.

Com o Flamengo, inteiramente perdido, o time catarinense poderia ter enfiado uma goleada histórica. Mas o seu técnico, Tuca Guimarães, inexperiente, e com o rei na barriga, começou a fazer bobagem, promovendo substituições equivocadas, fazendo o time recuar, atraindo o adversário, que mesmo atrapalhado, tropeçando aqui e ali, conseguiu diminuir. Alan Patrick levantou, Juan desviou e Marcelo Cirino marcou: 4 a 2. Vexame.

Qual é o salário de Diego? Quanto foi preciso para trazê-lo? Qual o motivo para ficar de fora? Queimar Adryan e Ronaldo com o time tomando de quatro? Pois é. O dia em que cartolas e treinadores entenderem que compromisso oficial, que vale ponto, classificação e dinheiro, tem que ser levado a sério, será possível chamá-los de profissionais.

 

FIGUEIRENSE 4 x 2 FLAMENGO

Data: Quarta-feira, 24 de agosto de 2016.

Competição: Copa Sul-Americana / 2ª fase / Ida.

Local: Estádio Orlando Scarpelli, em Florianópolis / SC.

Arbitragem: Daniel Adan Fedorczuk Bentancour, Mauricio Espinosa Rodriguez e Nicolas Alfredo Taran Mendez / Uruguai.

Gols: Rafael Moura 10’, 27’ e 47’, Alan Patrick 12’, Marquinhos 18’ e Marcelo Cirino 75’.

FIGUEIRENSE: Gatito Fernandez, Ayrton, Marquinhos, Werley e Marquinhos Pedroso; Elicarlos, Jackson Caucaia, Ferrugem (Yago 58’) e Carlos Alberto (Élvis 62’); Lins (Pará 75’) e Rafael Moura. Técnico: Antônio Carlos Guimarães – Tuca Guimarães.

FLAMENGO: Paulo Victor, Rodinei, Donatti, Juan e Chiquinho; Cuellar (Ronaldo 61’), William Aarão, Mancuello (Adryan 61’) e Alan Patrick; Marcelo Cirino (Fernandinho 76’) e Guerrero. Técnico: José Ricardo Mannarino.

 

Foto: Eduardo Valente / Flamengo