O Flamengo esteve muito longe de jogar um futebol de time que briga por título, como sugere a tabela, mas conseguiu uma virada emocionante, 2 a 1 sobre o Cruzeiro, num jogo que parecia irremediavelmente perdido, o que leva a acreditar, dadas as circunstâncias – entre outras, duas chances incríveis perdidas por Ábila, no fim – que vai de fato correr atrás do hepta. Os cariocas têm 53 pontos, o Palmeiras, líder, 54.

Como é bom para o torcedor ter Alan Patrick e Mancuello, que sabem tratar bem a bola, e que – sabe-se lá o motivo – estavam na reserva até os 63 minutos. O Cruzeiro, com 26 pontos, caiu no Z-4.

O duelo era entre dois gigantes. Mas o time de Minas entrou recuado, dando espaço ao carioca, que tinha a posse da bola, trocando passes, procurando uma brecha na zaga adversária. Nas raras ocasiões em que tentava sair, o Cruzeiro era desarmado, mas fazia a recomposição defensiva com rapidez, deixando o Rubro-Negro sem muita opção. Aos 19 minutos, Réver arriscou de longe, e a bola caiu nos pés de Guerrero, que chutou rasteiro, para ótima intervenção de Rafael. Aos 22, Guerrero acertou uma bicicleta. O goleiro, no entanto, estava bem colocado, e segurou sem problemas.

Na primeira vez que chegou na frente com ousadia, aos 28, a equipe azul quase marca, numa finalização de Arrascaeta, que Alex Muralha, atento, mandou para escanteio. Pouco depois, Rafael Sóbis apanhou uma sobra na área e chutou à esquerda, para fora, mostrando a vulnerabilidade da retaguarda carioca. Aos 36, Ábila marcou, mas estava em posição irregular. Ao Flamengo, apesar do domínio, faltava maior poder de decisão no ataque. Aos 42, Ariel Cabral substituiu Lucas Romero, que havia se machucado sozinho. Aos 45, Henrique desviou escanteio à direita, e Márcio Araújo, bem colocado, evitou o pior. Não seria absurdo afirmar que o Cruzeiro, apesar do maior volume de jogo do time da Gávea, esteve mais próximo do gol.

Os times retornaram sem mudanças para a etapa derradeira. O Cruzeiro começou tentando jogar para frente, e o Flamengo mostrando a mesma dificuldade para superar a defesa adversária. Pouco mais de uma hora de bola rolando e Zé Ricardo enfim resolver promover substituições, pois o time não acertava nenhuma jogada ofensiva, e ainda ficava exposto aos contra-ataques. Entraram Mancuello e Fernandinho. Do outro lado, Mano Meneses trocou Arrascaeta por Rafinha.

Aos poucos, o Cruzeiro foi chegando, envolvendo a confusa retaguarda rubro-negra, até que aos 29, explorando tal deficiência, Rafinha recebeu de Robinho e mandou a pancada no ângulo direito: 1 a 0. Éverton foi substituído por Alan Patrick. Aos 32, o Flamengo deu seu primeiro chute na etapa final, com Mancuello, à esquerda, para fora. Aos 38, Guerrero arriscou, houve desvio em Bruno Rodrigo, e o empate eestava decretado: 1 a 1. Aos 40, Ábila, livre, de frente para a baliza, desperdiçou chance incrível, chutando para defesa absolutamente espetacular de Alex Muralha. Aos 42, Rafinha rolou para Ábila, que outra vez sem nada pela frente, pôs para fora.

Aos 45, Mancuello recebeu de Alan Patrick e colocou de canhota no ângulo direito de Rafael: 2 a 1. Restava o apito final. Ambos voltam a jogar no sábado, dia 1º. O Flamengo enfrenta o São Paulo, no Morumbi. E o Cruzeiro recebe o Grêmio, no Mineirão.

 

FLAMENGO 2 x 1 CRUZEIRO / MG

Data: Domingo, 25 de setembro de 2016.

Competição: Campeonato Brasileiro / 27ª rodada.

Local: Estádio Municipal Kléber José de Andrade, em Cariacica / ES.

Público: 13.780 pagantes / 15.680 presentes / 1.900 gratuidades.

Arbitragem: Leandro Pedro Vuaden, Jorge Eduardo Bernardi e Lúcio Beiersdorf Flor / RS..

Gols: Rafinha 74’, Guerrero 83’ e Mancuello 90’.

FLAMENGO: Alex Muralha, Pará, Réver, Rafael Vaz e Jorge; Márcio Araújo (Mancuello 63’), William Aarão, Diego e Gabriel (Fernandinho 67’); Éverton (Alan Patrick 76’) e Guerrero. Técnico: José Ricardo Mannarino.

CRUZEIRO: Rafael, Ezequiel, Manoel, Bruno Rodrigo e Edimar; Henrique, Lucas Romero (Ariel Cabral 42’), Robinho e Arrascaeta (Rafinha 63’); Rafael Sóbis (Élber 82’) e Ábila. Técnico: Sidney Lobo (Mano Menezes suspenso).

 

Foto: Gilvan de Souza / Flamengo