O Flamengo não fez em Guaiaquil, na vitória de 2 a 1 sobre o Emelec, uma partida perfeita sob o aspecto técnico, à exceção, é claro, do brilho individual de Vinícius Júnior, que calou a rapaziada que já começava a chamá-lo de Neguebinha.

Mas o time mostrou um futebol razoável, e o mais importante, brigou admiravelmente pelo resultado do começo ao fim. Lembrou o Flamengo das grandes jornadas, que levaram o cartunista Molas, na década de 1940, a escolher o Popeye como símbolo do clube.

Sim, o time foi golpeado injustamente, no meio da segunda etapa, e a exemplo do que fazia o velho e carismático marinheiro, comeu o espinafre, tirou forças do além e virou o placar. Nem parecia aquela equipe desanimada que arrastou corrente em alguns jogos do Estadual e na estreia da Libertadores.

O belo triunfo deixou a galera entusiasmada. Permaneceu, no entanto, a chamada pulga atrás da orelha, com a pergunta que não quer calar: terá sido apenas um dia de graça, ou a atuação que se viu no Equador se repetirá de agora em diante, nas duas competições?

Como é do conhecimento geral, o Flamengo só volta a jogar pelo torneio continental no dia 18 de abril, contra o Independiente Santa Fé, no Rio, e de novo com portões fechados. Mas o Estadual continua, e é da maior importância conquistá-lo, para ampliar a vantagem sobre os rivais na soma geral dos títulos.

Assim, logo saberemos se o time vai brigar para ser campeão em todas as esferas, como sempre se exigirá, ou se o espetáculo de Guaiaquil foi apenas uma breve demonstração de força que ficará tão somente na memória.