O Flamengo tem chance de ganhar o Brasileiro? Na teoria, sim, pois há um equilíbrio entre pelo menos a metade dos 20 times que vão disputá-lo, e o Rubro-Negro está entre eles. Até pelo elenco que possui, que não é melhor, mas também não é pior dos que engrossam a lista. No entanto, só confirmará que é candidato ao título depois que mostrar a atitude que praticamente ainda não teve em 2018.

Alguém dirá que o Flamengo fez sim uma partida convincente na vitória de 2 a 1 sobre o Emelec. O problema é que não se trata apenas de suar a camisa em campo, como ocorreu de fato em Guaiaquil. É absolutamente urgente varrer, fora do gramado, o discurso conformado, aquele que admite satisfação com vice-campeonatos e conquista de vaguinhas em torneios sul-americanos. Disso, os torcedores estão fartos.

Ganhar e perder são conseqüências lógicas do esporte. Mas colecionar derrotas, e aceitá-las passivamente, como se isso tenha sido natural ao longo dos 106 anos do futebol do clube, deve ser sempre condenável. Essa postura não presta. Quando os cartolas dizem que o trabalho está “no caminho correto e vai continuar”, após eliminação numa primeira fase de Libertadores com um gol nos acréscimos, na realidade está tudo errado.

Aliás, é importante ressaltar que não foi só contra o Emelec que o Flamengo mostrou em 2018 a atitude que a galera quer. Quem viu há de lembrar que o time enfiou 4 a 0 no Madureira, jogando intensamente do começo ao fim, e poderia ter vencido de oito ou 10. Ok. O Madureira tinha uma das piores equipes do campeonato. Mas o Rubro-Negro não exibiu a mesma atitude diante de outros adversários do mesmo nível.

Mas é fato que o Brasileiro baterá na nossa porta no próximo sábado e ainda não sabemos exatamente como recebê-lo. Se com o futebol sem alento e pouco inspirado, ou com aquele, raro, vibrante e pleno de idéias, que vimos nos jogos que utilizamos aqui como exemplos. Se com o discurso resignado, capaz de irritar o mais tranqüilo dos torcedores, ou com a palavra alentadora e positiva, que levará a galera de volta aos estádios.

O Flamengo não quer comissão técnica água com açúcar, que prioriza a retranca, que escala time reserva para dar preferência a uma única competição, que joga campeonato para não conquistá-lo, só cumprir tabela.

E a esperança é que se já ocorreram pelo menos dois momentos de felicidade em 2018, há sempre a possibilidade de vir o bis. E que se isso acontecer de fato, o Rubro-Negro é candidato ao título brasileiro. Caso contrário, vamos de lenga-lenga até o fim do ano.