O que havia de válido, em maior ou menor intensidade, no amistoso contra o Atlético, em Goiânia? Maurício Barbiéri, negando em entrevista, mas pensando em ser efetivado, Cuellar, Trauco e Diego sonhando com brechas em suas seleções na Copa do Mundo, César, Rodinei, Éverton Ribeiro e Lucas Paquetá por vagas no time, e Henrique Dourado brigando por um mísero gol, capaz de aliviar a barra com a torcida. Valia também um resultado positivo, pois derrota é ruim em qualquer circunstância, notadamente quando há tanta incerteza em jogo.
Pois a coisa começou mal, com a entrevista excessivamente comportada de Barbiéri, sugerindo resignação com a sua posição secundária, e pouca vibração com o momento que a vida lhe oferece – tudo que a galera rubro-negra não quer.
Continuou com o time – raras exceções – atuando em ritmo de amistoso, uma ou outra escaramuça, como se dizia antigamente, até tomar o gol, de Joanderson, aos 39 minutos, em falha coletiva da zaga, incluindo César. Aliás, dada a fragilidade da equipe goiana, o Flamengo até criou chances, repetindo porém o pecado de sempre, erros nas conclusões.
Presume-se que Barbiéri tenha solicitado alguma atitude no intervalo – não precisa berrar, que ninguém é criança ou moleque, só deixar claro que é necessário um mínimo de seriedade. Tanto que o Flamengo virou o placar em dois minutos, em dois cruzamentos de Éverton, da esquerda. O primeiro, com 30 segundos, terminou com Diego escorando de chapa: 1 a 1. O outro, um minuto depois, com um chute de Éverton Ribeiro, que Bruno Santos defendeu com os braços. Henrique Dourado cobrou o pênalti e marcou o tal mísero gol: 2 a 1.
O Atlético caiu de produção. E com uma hora de bola rolando, quando começaram as intermináveis substituições, já era possível fazer avaliações, o que é sempre difícil em amistoso. Assim, seria exagero qualquer conclusão definitiva sobre Barbiéri, notadamente no aspecto tático, mas apenas afirmar que acabou tendo aproveitamento positivo, pois soube sacudir o time o suficiente para virar o placar e ganhar com folga.
Quanto a Cuellar, Trauco e Diego podem continuar sonhando com a Rússia-18, embora nenhum treinador de seleção fosse garanti-los por esta partida. Quanto ao quarteto César, Rodinei, Éverton Ribeiro e Lucas Paquetá, nada além do feijão com arroz que não foi bastante para definir nada. E quanto a Henrique Dourado, vale lembrar que se desperdiça o pênalti seria vaiado, e despertaria protestos, ou seja, a chance que teve, converteu.
A propósito, pelo que mostrou, Júlio César precisa mesmo abraçar a aposentadoria?
 
FLAMENGO 3 x 1 ATLÉTICO / GO
Data: Sábado, 7 de abril de 2018.
Competição: Amistoso / Festa de 81 anos do Atlético Clube Goianiense.
Local: Estádio Olímpico Pedro Ludovico Teixeira, em Goiânia / GO.
Público: não divulgado.
Arbitragem: Bruno Rezende Silva, Hugo Sávio Xavier Correia e Tiego Henrique dos Santos / GO.
Gols: Joanderson 39’, Diego 46’ e 71’ e Henrique Dourado 47’ (pênalti).
FLAMENGO: César (Júlio César – intervalo), Rodinei (Pará 60’), Réver (Léo Duarte 73’), Juan (Thuler 79’) e Renê (Trauco 60’); Cuellar (Jonas 73’), Diego (Jean Lucas 73’), Lucas Paquetá (Vinícius Paquetá 60’) e Éverton Ribeiro (William Arão 60’); Henrique Dourado (Lincoln 79’) e Éverton (Marlos Moreno 73’). Técnico: Maurício Barbiéri.
ATLÉTICO: Kléver, Alisson (Luan 64’), William Alves, Renê Santos e Bruno Santos; Rômulo, Warian (João Paulo 62’), Tomás Bastos e Fernandes; Joanderson (Tito – intervalo) e Júlio César (Christian 86’). Técnico: Cláudio Tencate.