O empate na estreia – dissemos aqui – só reforçaria o discurso conformado que tomou conta do Flamengo nos últimos tempos. No entanto, diante das circunstâncias em que ocorreu, seria exagero afirmar que foi mau resultado. Vale ainda lamentar que não foi possível fazer uma análise completa do conjunto, pois o time da Gávea acabou sendo prejudicado de forma absurda. E dada a desvantagem numérica repentina, é importante destacar que os jogadores correram atrás do melhor.

Aliás, como vários clubes insistem em rechaçar o árbitro de vídeo, e os auxiliares adicionais são habitualmente omissos, o que se exige agora é a punição exemplar do quinteto do Mato Grosso, além é claro da compra imediata de pares de óculos para todos eles.

Pois como se não bastasse o primeiro erro, os deficientes visuais ainda ignoraram o pênalti evidente – como a TV mostrou em tela cheia, de Ramon em Diego, aos 22 minutos da etapa derradeira. E se William Arão estava impedido no segundo gol do Flamengo, o meia Uilliam Correia – assim mesmo, com U – deveria ter recebido o cartão vermelho ao desferir pontapé sem bola em Vinícius Júnior, que invadiria a área na direção de Caíque.

O gol marcado por Lucas Paquetá, após passe de Vinícius Júnior, com 16 segundos de jogo, poderia desarticular o time baiano. Mas não houve tempo para tal. Aos 10 minutos, Rhayner chutou, a bola bateu no rosto de Éverton Ribeiro, que estava sobre a linha de meta, e a arbitragem assinalou pênalti. Pior do que o árbitro foi o comportamento do vigia Marcelo Alves dos Santos, que não percebeu – ou fingiu que não – que não havia ocorrido nenhuma irregularidade. Yago cobrou e empatou.

E o Flamengo, diante da trapalhada colossal dos homens de azul, não conseguiu mais arrumar a equipe no primeiro tempo. Na realidade, a troca de Henrique Dourado por William Arão, aos 26 minutos, só fez manter o rubro-negro carioca privilegiando o jogo defensivo, apostando em raros contra-ataques, que acabaram não tendo efeito prático.

O que houve de mais interessante no segundo tempo foi o fato do Flamengo não abrir mão de atacar, apesar da desvantagem, o que de alguma forma deixou o Vitória preocupado. Daí o gol de Réver, na cabeçada, aos 26 minutos, aproveitando o passe de Geuvânio, em lance no qual William Arão estava em posição irregular. Aos 27, aconteceu o pênalti de Ramon em Diego, que Reway não quis marcar. Pouco depois, aos 30, o Vitória igualou, em falha coletiva da zaga, pois Denílson subiu sozinho, mas diante de tanta confusão, e dos equívocos em sequência, o ponto ganho, afinal, foi razoável.