Os erros do trio de arbitragem de Mato Grosso atrapalharam o confronto de rubro-negros no sábado passado, em Salvador. E o grande prejudicado foi sem dúvida o Flamengo, pois o pênalti assinalado aos 10 minutos mudou a história da partida, que jamais saberemos qual seria, mas que até ali era amplamente favorável ao time carioca.

Com o gol de empate marcado pelo Vitória, que passou a ter um homem de vantagem, ficou difícil conhecer a proposta de trabalho do novo-velho-interino e talvez futuro técnico Maurício Barbiéri. E também de elaborar, é claro, uma análise do comportamento dos atletas, caso todos tivessem cumprido as funções determinadas previamente pelo dito cidadão.

No entanto, não adianta mais chorar sobre o leite derramado. A própria Comissão de Arbitragem da CBF, horrorizada com as lambanças perpetradas do começo ao fim do duelo, decidiu por uma punição, afastando a turma pantaneira por tempo indeterminado, “para um trabalho de reorientação”. Logo, a tarefa é reconhecer a queda, e não desanimar – levantar, sacudir a poeira, e dar a volta por cima, como recomendava Paulo Vanzolini.

A ordem agora é esquecer o Vitória e derrotar o Independiente Santa Fé, que vive momento delicado. Trocou de treinador no sábado passado, após cinco jogos sem vencer. Demitiu o veterano uruguaio Gregorio Perez e efetivou o colombiano Agustín Julio Castro, que tem larga história no clube, no qual já fez de tudo: foi goleiro, assistente-técnico, dirigiu a equipe feminina e trabalhou como gerente de futebol. Seu auxiliar, Gerardo Alberto Bedoya, é outra figura conhecida da seleção nacional.

E que ninguém se engane. Sai um treinador, entra outro, e a essência dos colombianos não muda muito. Eles não costumam temer os adversários, grandes ou não, mesmo fora de casa. E se o time local não consegue o gol com certa rapidez, 15 ou 20 minutos, os “cafeteros” se tornam abusados, e decididos a surpreender a qualquer custo.

Praticam o toque de bola, explorando a indiscutível habilidade de muitos de seus jogadores, e raramente utilizam o futebol defensivo, o que é quase uma regra para equipes de menor tradição, notadamente quando enfrentam os gigantes do continente. Só apelam para tal recurso no fim da partida, quando percebem que o resultado obtido até ali é excelente, como ocorreu, por exemplo, com o Independiente Santa Fé, no empate de 0 a 0 com o River Plate, em Buenos Aires. Mesmo assim, não abandonam por completo a possibilidade de ir à frente, pois esse expediente faz parte da filosofia prioritária de jogo ofensivo. Quase ganharam na Argentina, marcando nos acréscimos.

O Santa Fé é um time forte na defesa, que possui um meio-campo capaz de criar e também de recuperar as bolas com alguma eficiência, o que o permite colocar em prática os contra-ataques velozes, o que não é uma regra, mas uma exceção viável, dependendo da desatenção do adversário. Este deve sempre prestar atenção quando os colombianos começam a fazer o joguinho excessivamente cadenciado, como se estivessem um tanto desinteressados, pois a dissimulação é outra estratégia para dar o bote.

Tal descrição pode levar quem está lendo o texto a acreditar que o Santa Fé é um verdadeiro esquadrão, praticamente invencível, o que está longe da verdade. Mas não seria um exagero classificá-lo como esperto e traiçoeiro. Assim, como dito, é importante sair para matá-lo desde o começo, cortando o mal pela raiz.

Vale esclarecer que o trio de arbitragem será uruguaio, formado por Andrés Cunha, Mauricio Espinoza e Nicolas Taran. Cunha dirigiu um único jogo do Flamengo, na goleada de 4 a 0 sobre o San Lorenzo / Argentina, no Maracanã, em 2017. Também trabalhou no jogo Peru 1 x 0 Brasil, na Copa América Centenário, em 2016, quando o time de Dunga foi eliminado em Foxborough-Massachussets, com um gol de mão de Raúl Ruidíaz. Olho vivo nele.