Vamos a uma análise sobre a chegada de Carlos Noval ao cargo de diretor executivo do futebol do Flamengo, começando por breve explanação histórica dos campeonatos de base.
Houve uma época na qual tais competições eram acompanhadas por todos. Os juvenis – juniores depois de 1979 – faziam as preliminares dos profissionais, sob os olhares de assistências vez por outra superiores a 100 mil pessoas, o que permitia ao torcedor formar opinião a respeito da garotada que surgia.
Isso criava enorme expectativa, notadamente em torno dos mais talentosos, que em pouco tempo se tornavam conhecidos. Por outro lado, o fato de jogar diante de multidões, dava a cada um deles a possibilidade de conviver desde cedo com a cobrança absurda da galera e da mídia.
A partir da década de 1990, por um punhado de motivos, as competições chamadas menores desapareceram dos olhos do grande público, o que forçou uma mudança de cenário. Logo, o menino passou a ser lançado às feras sem ter a experiência de conhecer o julgamento imediato e implacável que o torcedor faz, pouco se importando com as circunstâncias que cercam a passagem de um atleta da base para o profissional.
Com a expansão da TV a cabo, e de outros tantos recursos tecnológicos, principalmente a internet, os campeonatos Sub-17 e Sub-20 voltaram ao radar de todos. E a Taça São Paulo de Juniores se tornou a melhor competição para uma avaliação geral, pois além da transmissão, que permite é claro ao torcedor ver efetivamente os jogos, é disputada com muitos estádios cheios, submetendo os garotos ao terrível teste de julgamento público.
E sob a direção de Noval, o Flamengo conquistou três das últimas oito copinhas disputadas, em algumas ocasiões, vale lembrar, jogando contra grandes torcidas adversárias, ou seja, em ambiente hostil, o que contribuiu, por exemplo, um desempenho excelente da garotada nas primeiras partidas do Estadual de profissionais em 2018.
Dessa área, não há dúvida, o novo diretor executivo é craque. Além disso, vive no clube desde muito jovem, e conhece os exageros e desatinos de cartolas e torcedores, que tantas vezes levaram o Rubro-Negro a perder títulos.
Logo, o seu maior desafio, tudo indica, será conviver com os interesses variados que cercam o futebol profissional, que também existem na base, é óbvio, mas em proporção muito menor, até porque, como dito, são poucos os que acompanham.
Pois Noval terá que aturar figuras que não conhecem do riscado, mas têm proximidade para apresentar as mais absurdas sugestões, além de empresários e oportunistas, do ambiente político sempre efervescente, principalmente em ano de eleições, da cobrança de elementos de torcidas organizadas que vivem 24 horas em torno do clube, e até de pessoas – creiam – que nem gostam de futebol, mas que se julgam catedráticos.
O primeiro passo de Noval, ao que tudo indica, será a participação na escolha do novo treinador. Sendo assim, oremos pois por suas decisões.