O treino aberto, que vive o seu momento fashion, é mais antigo do que andar para frente. Os que aconteciam na Gávea, na década de 1980, recebiam até cinco mil torcedores. A diferença é que naquela época o Flamengo possuía ídolos de verdade e ganhava muito, jogos e títulos, regionais, nacionais e internacionais.

Logo, o povo lotava a arquibancada para ver futebol de excelência e curtir os craques, que recebiam aplausos e elogios. Tinha de tudo um pouco: artistas consagrados, pobres-diabos em busca da fama, bêbados e equilibristas, violeiros e cantadores. Assim, a prática era um incentivo formidável. A tietagem afagava o ego geral e produzia sem dúvida resultados positivos.

Hoje, dado o momento pouco feliz, não se sabe exatamente o que pode ocorrer. Se o torcedor vai para criticar e criar tumulto, o efeito será absolutamente nocivo. Caso contrário, é claro, poderá de fato levantar o moral de todos, incluindo os próprios cartolas, tão pressionados recentemente, como os jogadores e a Comissão Técnica. Portanto, seria interessante distribuir aos cidadãos que pretendem entrar no Maracanã algo próximo daquele aviso que se via nos botequins de outrora. “Se vem como amigo, entre, a casa é sua. Mas se vem pedir fiado é melhor ficar na rua!”

Há, no entanto, pelo menos mais dois fatores que não recomendam a presença da multidão. Um: Barbiéri está iniciando um trabalho, não teve oportunidade de observar o time em Salvador, pois as trapalhadas da arbitragem mudaram o curso do jogo, e teria teoricamente que dirigir o treino sem gritos e sussurros. Outro: a badalação excessiva pode levar os atletas mais jovens ao paraíso na terra, ou seja, a acreditar que são os craques da década de 1980, mesmo que o futebol que joguem esteja a anos-luz daquele.

De qualquer forma, vale alimentar a esperança de que o treino aberto será positivo, dado que a partida contra o Santa Fé terá portões fechados, porque hordas vândalas, ou algo próximo disso, decidiram transformar, não faz muito tempo, o ato de torcer em um circo de horrores.