Nasceu o neto da minha prima Celina. Fui lá conhecê-lo. E ficou evidente, muito antes de entrar no quarto, que a criatura em breve estará engrossando o grito da massa urubu nos estádios de todo o planeta. Pois lá estava, pendurada na porta, a camisa do Mais Querido, destaque absoluto diante da frieza de pequenas cegonhas de papelão, simples figurantes no cenário francamente rubro-negro do corredor.

Mas foi ao vê-lo que não tive mais nenhuma dúvida de seu caráter. Apontou os olhinhos miúdos na minha direção, e sinalizou, com os dedinhos minúsculos, o número sete, numa óbvia indicação de que 2018 é o ano do hepta.

Ato contínuo, e numa demonstração evidente de sua preocupação com o Santa Fé, chorou por segundos, aflito diante da impossibilidade de afirmar, com voz firme, que uma vitória amanhã sobre os colombianos será fundamental para a classificação na Libertadores.

E, no entanto, não precisava, o pequenino Francisco, externar a sua ansiedade. Percebi com rapidez o que desejava exprimir em seus gestos, e tratei de acalmá-lo, cochichando em sua orelhinha. “Fique calmo rapaz. Hoje, num simples treino, botamos hoje 50 mil no Maraca. Amanhã vai dar Mengão!”, disse-lhe de maneira suave.

Na realidade, a criatura queria esticar o papo, saber o que eu acho do novo treinador, se a ausência da torcida não prejudicará o espetáculo, se o juiz vai meter a mão de novo, enfim… Expliquei-lhe que tinha muita visita, gente querendo segurá-lo no colo, fazer bilú bilú, essas coisas que são de praxe quando o nenê dá as caras. E prometi que falaríamos mais, no que parece ter concordado, tal o semblante de leveza e tranqüilidade que exibia, quando deixei o ambiente.

Não poderia deixar de dizer, porém, que fiquei muito mais light do que ele, ao ver mais uma vez o milagre da vida em vermelho e preto se multiplicar. Felicidades, pois, Francisco.