Vantagem, diante do Santa Fé, o Flamengo não tem nenhuma. Empatou com o time colombiano no Maracanã, vai atuar fora de casa, contra a provável pressão da torcida local, e vem de uma partida ruim na vitória de 2 a 0 sobre o América Mineiro.

Mas tem chances, o Rubro-Negro, de ganhar em Bogotá. E que certeza seria essa, diante de tantos infortúnios, e levando-se em consideração que o adversário também precisa do resultado?

Vamos por partes, como fazia Jack, O Estripador. Na realidade, a essência das equipes cafeteras, como dito aqui em ocasiões anteriores, não muda muito. São bons no toque de bola, explorando a habilidade de muitos de seus jogadores, e têm por hábito priorizar o futebol ofensivo. É bom lembrar ainda que é necessário desconfiar quando começam a praticar o joguinho excessivamente cadenciado, sugerindo algum desinteresse, pois é uma estratégia para dar o bote.

É interessante ressaltar também que o comportamento da torcida colombiana não costuma ser tão agressiva com os visitantes, como as argentinas, chilenas e uruguaias. Pois cobra sobretudo do próprio time, que quando vai mal, perde o controle dos nervos, e na sequência, como num passe de mágica, todas as qualidades descritas acima.

Logo, se o Flamengo conseguiu jogar 20 minutos de bom futebol contra o Santa Fé, no Rio, pode repeti-lo na Colômbia, o que seria o suficiente para desarmar o adversário. Será preciso, também, é óbvio, manter o ritmo. Sendo assim, tudo dependerá da cabeça do novo velho interino e talvez futuro treinador Maurício Barbiéri, ou quem sabe, da capacidade que os jogadores tenham para desobedecê-lo.

É evidente que a proposta do quadro cafetero no começo da partida será absurdamente ofensiva. E se o Flamengo ficar assustado, assumindo a retranca, não suportará muito tempo. Vale lembrar que ao assumir o jogo covarde e ridículo do segundo tempo contra o América, o Rubro-Negro permitiu ao adversário criar um punhado de oportunidades, que não foram aproveitadas pelas limitações do Coelho, ou pelas belas defesas de Júlio César.

Portanto, o que se quer dizer é que será fundamental se apresentar em condições de igualdade com o Santa Fé, sem mostrar receio, a partir do momento em que a bola rolar, procurando deixar o público assustado, e em pouco tempo, cobrando do time da casa, que seguindo o raciocínio exposto, ficará atrapalhado o bastante para perder o jogo.

Houve uma época na qual as equipes de futebol contavam com grandes líderes, que tinham a ousadia de questionar as instruções do técnico, e ignorá-las no campo, caso percebessem que isso seria necessário. Às vezes é muito bom que tal situação ocorra. Logo, se o professor ordenar a repetição do joguinho fracote e medroso da segunda etapa de sábado passado, sua voz deve ser esquecida.

A desobediência civil foi importante em muitas ocasiões da História. Como se vê, dá para ganhar em El Campín, com a audácia dos gigantes, e a santa fé, sem trocadilho, na vitória.