Liberdade, ainda que tardia. No dia 21 de abril, ao contrário de Tiradentes, o Flamengo escapou da corda que provavelmente o enforcaria, caso não conseguisse derrotar o América, 2 a 0 no Maracanã, mesmo que a sua primeira vitória no Brasileiro não tenha sido nada convincente.

O time tomou a iniciativa de atacar, marcou duas vezes até o intervalo, mas foi ameaçado do começo até o fim. A equipe de Minas ganhou a maior quantidade dos rebotes oferecidos pela zaga rubro-negra, e criou várias chances, ora errando o alvo, e em algumas ocasiões dando a Júlio César, o dono da festa, a oportunidade de brilhar, com pelo menos cinco ótimas intervenções.

No entanto, o que irritou para valer foi ver o Flamengo regressar do vestiário recuado, como pequeno, procurando sem muito sucesso sair com velocidade, a exemplo do que ocorria com Zé Ricardo e Reinaldo Rueda. A substituição de Vinícius Júnior por Jonas, aos 72 minutos, mostrou que o novo velho talvez futuro treinador é mais um retranqueiro da pesada, e que a sua continuidade no cargo, francamente, não é recomendável. O torcedor permaneceu com o coração na boca a maior parte do tempo. E só não teve pesadelo porque os deuses do futebol não quiseram estragar a vida do veterano goleiro.

O jogo começou de acordo com o que estava absolutamente previsto: o Flamengo de posse da bola, e o América, completamente recuado, rezando para acertar um contra-ataque fatal. Assim, o que se via era o óbvio. O Rubro-Negro com a posse da bola, esbarrando no paredão, tentando encontrar uma brechinha na defesa mineira. Seria tudo suportável, até então, não fosse o fato de o adversário assustar, quando entrava na área carioca.

E o que de pior havia, já com quase meia hora, era a possibilidade de a torcida perder a paciência, e o time o controle dos nervos, deixando o América confortável em sua retranca. Mas eis que aos 28 minutos, Vinícius Júnior, o melhor do jogo até então, insistiu pela esquerda, e cruzou na medida para Henrique Dourado escorar: 1 a 0. Aos 35, ainda no embalo, o Ceifador foi derrubado por Jori, e cobrou o pênalti à direita do goleiro, para fazer 2 a 0.

O time visitante, muito bem organizado, voltou para a etapa derradeira com Luan no lugar de Marquinhos, explorando a retranca de Barbiéri. E desperdiçou pelo menos quatro chances, concluindo à vontade, por cima e por baixo, mostrando que há um desacerto evidente, tanto na zaga, que bateu cabeça sem parar, como dos homens do meio para frente, que tinham dificuldade para prender a bola, ou buscar mais gols.

Na realidade, à exceção das muitas chances que teve o América, para grandes defesas de Júlio César, Assim, não aconteceu nada de positivo para a continuidade do Flamengo no Brasileiro, pois o goleiro encerou a carreira, e a mediocridade do time vai continuar. Pelo menos, desta vez, o Rubro-Negro ganhou.

FLAMENGO 2 x 0 AMÉRICA / MG

Data: Sábado, 21 de abril de 2018.

Competição: Campeonato Brasileiro / 2ª rodada.

Local: Estádio Jornalista Mário Filho / Maracanã, no Rio de Janeiro / RJ.

Público: 52.106 pagantes / 47.705 presentes / 4.401 gratuidades e cadeiras cativas.

Arbitragem: Leandro Bizzio Marinho, Daniel Luiz Marques e Rogério Pablos Zanardo / SP.

Gols: Henrique Dourado 28’ e 35’ (pênalti).

FLAMENGO: Júlio César, Rodinei, Réver, Léo Duarte e Renê; Cuellar, William Arão, Lucas Paquetá (Jean Lucas 89’) e Geuvânio (Marlos Moreno 81’); Henrique Dourado e Vinícius Júnior (Jonas 72’). Técnico: Maurício Barbiéri.

AMÉRICA: Jori, Norberto, Messias, Rafael Lima e Carlinhos; Christian (Leandro Donizete 77’), Juninho, Serginho e Luan (Marquinhos – intervalo); Aylon (Capixaba 84’) e Rafael Moura. Técnico: Enderson Moreira.