Sabe aquela partida que o torcedor percebe, depois de 15 minutos, que dá para ganhar? Pois é. O estádio com público modesto, um tanto comportado, o time da casa deixando evidentes as suas limitações, o árbitro sem receio da torcida, enfim…

No entanto, lá estava o técnico, num misto de medo e teimosia, privilegiando o jogo defensivo, evitando por isso interferir positivamente, enquanto o tempo escorria pelos dedos, levando junto a possibilidade de uma quase classificação. Paralelamente, a mentalidade dos atletas, de ir empurrando o 0 a 0 até o fim, como acabou ocorrendo.

O Flamengo começou indeciso e o Santa Fé ensaiando pressão, que não chegou a acontecer, pois o time colombiano também errava em sequência, permitindo até que o carioca tivesse a posse da bola. O problema é que não sabia utilizá-la de forma efetivamente objetiva, dado que William Arão era peça nula, e Diego há muito deixou de ser decisivo.

O jogo permaneceu equilibrado até os 30 minutos, quando a equipe cafetera andou assustando em cobranças de faltas laterais, que o Flamengo cometia desnecessariamente, e que poderiam ter resultado em gol. Aos 35 minutos, Arboleda apanhou rebote, bateu sem muita força, e Henrique Dourado rechaçou com o braço esquerdo, em pênalti que o árbitro ignorou. Assim, o time da Gávea terminou o tempo inicial no lucro.

Mas, infelizmente, voltou para a etapa derradeira sem as mudanças que o tornariam ousado o suficiente para buscar a vitória. Logo, o Santa Fé, ainda mais desesperado, e diante da situação favorável, foi partindo para o ataque, e o Flamengo recuando, correndo riscos, sem que o técnico, com a sua fisionomia de coelhinho assustado, tomasse providências.

E pior, a ausência de um líder no campo, capaz de mudar o panorama da partida, fica ainda mais evidente, alguém para tirar a acomodação do time, advertir que o empatezinho, dependendo das circunstâncias, não é bom resultado. Era tentar o gol, e depois ele, o treinador, poderia lançar seus volantes e zagueiros. No fim, ao contrário daquela impressão do começo – dá para ganhar! – o que invadiu o torcedor rubro-negro foi o receio de sair derrotado num lance infeliz.

Assim, continua o Flamengo sofrendo na Libertadores. A propósito, só resta repetir o comentário que há muito virou lugar-comum: enquanto o Flamengo não entender que essa é uma competição mau-caráter, não conseguirá conquistá-la.

Ok. O árbitro apitou nos acréscimos, quando Geuvânio invadiu a área, para marcar. Uma compensação pelo pênalti? Talvez. Mas dava para ganhar sem o erro da arbitragem.

FLAMENGO 0 x 0 INDEPENDIENTE SANTA FÉ / COLÔMBIA

Data: Quarta-feira, 25 de abril de 2018.

Competição: Copa Libertadores da América / Terceira Fase / Grupo 4 / 4ª rodada.

Local: Estádio Nemésio Camacho / El Campín, em Bogotá / Colômbia.

Público: não divulgado.

Arbitragem: Daniel Adan Fedorczuk Bentancur, Miguel Angel Nievas Costa e Richard Fabian Trinidad Dias Mendez / Uruguai.

FLAMENGO: Diego Alves, Rodinei, Réver, Juan e Renê; Cuellar, William Arão, Diego (Jonas 89’) e Lucas Paquetá; Vinícius Júnior (Marlos Moreno 83’) e Henrique Dourado (Geuvânio 71’). Técnico: Maurício Barbiéri.

INDEPENDIENTE SANTA FÉ: Robinson Zapata, Carlos Arboleda, Javier Lopez, William Tesillo e Nicolas Gil Uribe; Yeison Gordillo, Baldomero Perlaza, Armando Vargas e Anderson Plata; Wilson Morello e John Pajoy (Juan Roa 71’). Técnico: Agustín Júlio Castro.