O empate de 1 a 1 foi péssimo, trágico e melancólico, num Maracanã sem torcida, com um Flamengo vazio de idéias na última hora de jogo. Como dito ontem neste site, o Santa Fé está longe de representar um esquadrão, mas não seria um exagero classificá-lo como um time esperto e traiçoeiro, o que torna importante matá-lo desde o começo, cortando o mal pela raiz. Na realidade, uma situação habitual de Libertadores, um torneio muito competitivo, tratante, velhaco, patife, no qual são cada vez mais raros os adversários absolutamente frágeis.
Pois o Flamengo começou fazendo uma partida convincente, buscando o ataque, trocando passes com rapidez, tendo Diego como referência, sem se descuidar na defesa. Fez 1 a 0 aos sete minutos com cabeçada de Henrique Dourado, escorando escanteio cobrado por Diego, e poderia ter marcado pelo menos mais duas vezes, pois chegava na frente do gol com facilidade.
Mas não conseguiu ampliar o placar, e o Santa Fé, que parecia fora de combate, soube aproveitar a primeira e única falha do adversário na etapa inicial – saída errada de bola – e empatou aos 31, com Morello, que surgiu livre na pequena área, escorando sem chance para Diego Alves.
Daí em diante, o time colombiano acertou a marcação, e passou a matar as jogadas do Flamengo com faltas consecutivas na intermediária, tanto que o Rubro-Negro não criou mais nenhuma oportunidade. Pior, voltou para o segundo tempo sugerindo que sofrera algum incômodo com a mudança de postura do Santa Fé, o que mostra certa desinformação, pois os times cafeteros jogam assim, simulando desinteresse, aguardando o momento de dar o bote fatal.
Aos 10 minutos, notando enfim que o Flamengo não conseguia resgatar o futebol do começo, e sentindo que precisava é claro tomar providências, Barbiéri trocou Éverton Ribeiro e Henrique respectivamente por William Arão – de completa inutilidade – e Lincoln. Não houve mudança significativa.
O Santa Fé recuou, deixando o Rubro-Negro esbarrar na sua própria ansiedade. Aos 31 minutos, o técnico tirou Vinícius Júnior e colocou Geuvânio, deixando a impressão de que via outro jogo, pois o menino era a maior esperança de gol. O Flamengo passou a pressionar, pois a equipe colombiana admitiu que o resultado era ótimo, e por instinto, dada a necessidade de somar três pontos.
Restava então, a partir dali, a providência divina. Que não veio. O que parece, e o comentário já virou lugar-comum, é que enquanto o Flamengo não entender que a Libertadores é uma competição mau-caráter, não conseguirá conquistá-la.
 
FLAMENGO 1 x 1 INDEPENDIENTE SANTA FÉ / COLÔMBIA
Data: Quarta-feira, 18 de abril de 2018.
Competição: Copa Libertadores da América / Terceira Fase / Grupo 4 / 3ª rodada.
Local: Estádio Jornalista Mário Filho / Maracanã, no Rio de Janeiro / RJ.
Público: portões fechados.
Arbitragem: Andrés Ismael Cunha Soca, Mauricio Espinosa Rodriguez e Nicolas Alfredo Taran Mendez / Uruguai.
Gols: Henrique Dourado 7’ e Wilson Morello 31’.
FLAMENGO: Diego Alves, Rodinei, Réver, Juan e Renê; Cuellar, Diego, Éverton Ribeiro (William Arão 55’) e Lucas Paquetá; Vinícius Júnior (Geuvânio 76’) e Henrique Dourado (Lincoln 55’). Técnico: Maurício Barbiéri.
INDEPENDIENTE SANTA FÉ: Robinson Zapata, Carlos Arboleda (Victor Giraldo 76’), Javier Lopez, William Tesillo e Nicolas Gil Uribe; Yeison Gordillo, Baldomero Perlaza, Armando Vargas (Almir Soto 71’) e Anderson Plata (Carlos Henao 88’); Wilson Morello e John Pajoy. Técnico: Agustín Júlio Castro.