O embarque do Flamengo para Fortaleza foi um retrato perfeito do futebol que o time vem jogando. É cansativo repetir. E vale implorar. Mas o Flamengo deve priorizar o jogo ofensivo contra o Ceará, pela terceira rodada do Brasileiro, neste domingo, em Fortaleza.

Pois o time local, motivado por um punhado de circunstâncias, assim o fará, oferecendo espaços para o adversário explorar. Assim, ao contrário do que ocorreu em Bogotá, a organização na saída de bola, de trás para frente, será fundamental. Resta saber se o treinador terá tal preocupação, ou, a exemplo do que houve contra o Santa Fé, mostrará preocupação excessiva em segurar resultado, ou seja, se vai pensar pequeno, considerando o empate fora de casa um ótimo resultado, abrindo mão de atacar.

O Ceará conquistou o Estadual, voltou à Série A após seis anos, está nas quartas de final da Copa do Nordeste, realizou uma boa partida no 0 a 0 com o São Paulo, e tem a certeza absoluta de que derrotar o Flamengo, apesar do momento ruim do Rubro-Negro, é sempre interessante. Maior motivação, impossível, levando-se em conta ainda que joga no Castelão com público acima de 30 mil pessoas, com pelo menos a metade do estádio gritando a seu favor. Sua equipe, no entanto, não é superior.

E não é possível que o técnico Maurício Barbiéri não saiba montar uma estratégia que faça o time trocar meia dúzia de passes no meio, para criar oportunidades, e mais, ter a capacidade de finalizar com acerto, para efetivamente aproveitá-las. É o básico do futebol. Francamente, se isso não está no seu repertório, não dá para ser treinador.

Assim, na dúvida dos dirigentes, se contratam ou não um substituto, e debaixo da saraivada de críticas ao conjunto da obra, que não tem absolutamente nada de prima, o Flamengo, em caso de derrota para o Ceará, corre o risco de entrar definitivamente numa ciranda que será praticamente inédita na sua longa vida.

O clube, que sempre viveu mergulhado num exagero de auto-estima, proclamando-se acima de todos, dentro e fora do campo, atingirá uma unanimidade de absurdo pessimismo, que jamais experimentou, forçando até, quem sabe, a renúncia generalizada de sua cartolagem, antecipando a eleição prevista para o fim do ano, abrindo espaço para uma nova administração, que apresente enfim uma proposta capaz de apagar o incêndio que está lambendo a Gávea.

A queda em Fortaleza poderia detonar definitivamente o ciclo que começou com a eliminação na Libertadores de 2017, de forma dramática e ridícula. Dali em diante, ganhou força a mentalidade do time pequeno, de comemorar vaguinha em competição sul-americana, fuga de rebaixamento, e por aí vai. É preciso virar a chave de vez. Acabar com o conformismo.

Seria possível fazê-lo, diante de tanta pressão, de café e pipoca, de um técnico inexperiente e medroso, e da falta de comprometimento – e do nível sofrível – de alguns atletas? Respostas neste domingo, a partir das 16 horas, num Castelão em festa, diante de um Ceará de cara limpa, disposto a jogar mais gasolina na fogueira rubro-negra.