Duas goleadas chamaram a atenção na manhã de domingo, notadamente pela forma com que foram obtidas, apesar da fragilidade dos adversários: o Corinthians fez 4 a 0 no Paraná Clube, em Curitiba, pelo Brasileiro, e o Manchester City enfiou 5 a 0 no Swansea, pelo Inglês.

Observando os dois jogos, aumentou a irritação pela atuação medíocre do Flamengo, na vitória de 2 a 0 sobre o América, que deixou ainda mais evidente os métodos e equívocos do novo velho interino talvez futuro treinador Maurício Barbiéri.

Não há aqui a pretensão de tecer elogios rasgados a Fábio Carille e Pep Guardiola, mas mostrar que os resultados podem ser construídos sem sacrificar por completo o poderio ofensivo, como fez o comandante rubro-negro no sábado, abrindo mão de atacantes, recuando absurdamente para segurar o placar, como um time pequeno qualquer.

Não existe também o objetivo de estabelecer comparações entre os três técnicos, o que cansaria o leitor, sem que se chegasse, talvez, a lugar algum. O fato é que a torcida do Flamengo não suporta mais ver treinador adotando o estilo covarde que não produz resultados. Como temos repetido, Zé Ricardo e Reinaldo Rueda começavam as partidas de forma cautelosa, e quando conseguiam qualquer vantagem, jogavam o time atrás, na esperança de ampliá-la em contra-ataques, o que raras vezes ocorria.

No jogo contra o Santa Fé, quarta-feira passada, Barbiéri não teve a chance de revelar sua verdadeira face, pois a equipe colombiana, satisfeita com o 1 a 1, deixou o Rubro-Negro com a posse da bola, inibindo o joguinho prioritariamente retranqueiro do treinador brasileiro, que na prática não conseguiu nada de útil, ampliando –  sim, isso foi possível – a precariedade do seu repertório.

E eis que contra o América, no embalo dos 50 mil presentes ao Maracanã, do bom desempenho de Vinícius Júnior e do oportunismo de Henrique Dourado, o Flamengo fez 2 a 0, e voltou fechadíssimo para a etapa final, errando praticamente todas as tentativas de sair em velocidade, e pior, povoando o campo de volantes, enfim, uma pobreza só.

Mais grave ainda foi o fato do ferrolho ridículo não ter impedido o América de criar várias – vejam bem, várias – chances. Como a vantagem era razoável, e Júlio César segurou todas, a torcida evitou vaias e xingamentos, para não estragar a festa do ídolo. Mas a substituição de Vinícius Júnior por Jonas foi o retrato da pobreza de espírito de Barbiéri.

Pois neste domingo, o Corinthians, um time sem estrelas, expôs desde o começo o seu habitual posicionamento tático, equilibrado o suficiente para anular os ataques do adversário, e surpreendê-lo em estocadas calculadas, marcando dois gols em cada tempo, sofrendo apenas um único susto em 90 minutos, quando a vitória já estava garantida.

Quanto ao City, fica até difícil imaginar vê-lo mergulhado na defesa diante de um time que a exemplo do América tem como única tarefa brigar para permanecer na Primeira Divisão. Assim, mandou no jogo do princípio ao fim, marcando seus gols com naturalidade.

A propósito, será necessária coragem na Colômbia para vencer o Santa Fé. Caso contrário, teremos que utilizar novamente O Grito, de Munch, como ilustração da página na quinta-feira.