A vitória convincente de 3 a 0 sobre o Ceará levou com certeza milhões de rubro-negros à conclusão de que as ameaças agressivas aos jogadores, no embarque para Fortaleza, foram determinantes para o resultado. Creiam, no entanto, os tranquilos e os exaltados: a pressão que havia antes da viagem já era suficiente, dentro e fora do campo, para uma reação.

Numa análise racional, os resultados obtidos com Maurício Barbiéri como técnico não eram absolutamente desastrosos, pois o time não havia sido derrotado, não foi eliminado na Libertadores, e começou o Brasileiro no G-4. O grande problema é que apresentava um futebol ruim, desorganizado sob o aspecto tático, priorizando o jogo defensivo, sem mostrar eficiência ao fazê-lo, e limitado nos contra-ataques, daí o número pequeno de gols.

Assim, a crise que acabou provocando o comportamento negativo no aeroporto foi sobretudo um reflexo, exagerado e condenável, é claro, do joguinho pobre, praticado sem muito esforço, e do comportamento passivo dos dirigentes, diante da necessidade urgente de providências.

Vale ressaltar que é sempre recomendável, após uma boa vitória, considerar o nível do adversário, para evitar a euforia sem controle, que pode levar a uma futura decepção, ali adiante. O Ceará não é o Real Madrid. Mas o Flamengo andou tropeçando em equipes tão frágeis como o alvinegro. Chegou a perder para o Macaé no Estadual.

Logo, o que se faz aqui não é um elogio histérico ao triunfo obtido em Fortaleza, e nem uma ode aos desvairados que tentaram dar tapas nos atletas, na sexta passada, mas mostrar que bastou colocar em prática um raciocínio lógico para vencer com alguma tranqüilidade. Barbiéri lançou o time titular, não lançou volantes em excesso, para dar prioridade à estratégia de troca de passes no meio e ao futebol ofensivo, evitou inventou soluções absurdas ou substituições em hora errada, e soube aproveitar não só as limitações da equipe contrária, mas a excitação que alimentou diante de um Flamengo que julgou alquebrado, incapaz de uma reação.

Seria arriscado afirmar que tal decisão foi planejada ao longo de toda a madrugada, numa reunião entre dirigentes e Comissão Técnica, que deixou a todos exaustos. O que havia era uma pressão evidente que só poderia ser amenizada com o arroz e feijão – o simples e o óbvio – que os rubro-negros comeram em Fortaleza.

Quarta, pela Copa do Brasil, o Flamengo enfrenta um adversário, a Ponte Preta, do nível do Ceará. Logo, basta repetir a dose. Ou será que não? Em breve responderemos aqui a mais uma pergunta que não quer calar.