Há quem diga, no América Mineiro, que o time será prioritariamente ofensivo desde o começo da partida deste sábado, no Maracanã. Mas é muito difícil acreditar nisto. Pois embora o Flamengo atravesse um momento complicado, há sempre a tendência de respeitar o Rubro-Negro, por razões evidentes. “Vamos jogar contra um gigante que enfrenta a cobrança pelo resultado a todo instante”, disse Enderson Moreira, o técnico do Coelho.

Logo, o time dirigido por Maurício Barbiéri tem que entrar em campo consciente de que necessitará superar o provável ferrolho nos primeiros 20 minutos, para evitar a repetição daquele filme que o futebol conhece bem: o 0 a 0 vai ficando confortável para o time retranqueiro, e absolutamente incômodo para o oponente, que perde o controle dos nervos, e daí, em sequência, a precisão nos passes e na pontaria, e a organização tática, deixando espaços enormes para os contra-ataques adversários, levando o torcedor a tornar o quadro mais dramático, com cobranças e vaias impiedosas.

No Flamengo atual, como ficou claro no empate de 1 a 1 com o Santa Fé, a possibilidade de tudo isso ocorrer em dobro é bastante viável. Diante de um bom público, e já se sabe que o estádio vai receber mais de 30 mil pessoas, pior ainda. O torcedor não vai suportar novamente aquele joguinho burocrático de passes para os lados, de cruzamentos errados em excesso, sem qualquer criatividade, e gravíssimo, sem a raça que é tradição na história rubro-negra. Detalhe: o Flamengo adora pagar mico em dia de festa, que será de Júlio César, dando o seu adeus. Sejamos vigilantes.

Enderson Moreira é um bom treinador, que monta eventualmente times bem distribuídos, com capacidade para defender e atacar com equilíbrio. Em 2018, no entanto, fracassou contra os gigantes que enfrentou, pois foi derrotado nos quatro clássicos que fez contra Atlético e Cruzeiro no Estadual de Minas.

O América começou o Brasileiro vencendo o Sport por 3 a 0, mas o técnico, é claro, foi obrigado a repensar o esquema que adotou na estreia, pois, como dito, a situação é bem distinta. Jogou em Belo Horizonte, contra um adversário mal das pernas, e marcou o primeiro gol com 40 segundos de bola rolando. Em condições, digamos, normais, o Flamengo seria favorito absoluto. Mas no momento atual, com tanta cobrança e desconfiança, é temerário afirmá-lo. Que São Jorge, cujo dia se aproxima, possa olhar por nós.