Os muros da Gávea foram pichados de madrugada. O presidente Eduardo Bandeira de Melo, irônico, disse que não entende de futebol. O técnico Maurício Barbiéri alegou que o Maracanã vazio contribuiu para o resultado. E garantiu que vai ganhar na Colômbia os pontos perdidos no Rio. O fato é que o time não consegue vencer.

Logo, convidamos o doutor Ludopédio, médico e psicólogo, com formação no Brasil e no exterior, para fazer um diagnóstico do Flamengo. O renomado cidadão explicou que a situação do paciente não é terminal, mas que também não esbanja saúde, necessitando assim de cuidados diversos para uma recuperação completa.

Eis, portanto, as providências indicadas que devem ser adotadas com urgência, e com receita de especialista, é claro, para não exagerar na dose, visando atingir os objetivos.

1) Tomar uma injeção de ânimo para afastar a postura conformada que é evidente dentro e fora do campo. O Flamengo deve rejeitar Comissão Técnica água com açúcar, que prioriza a retranca, que escala time reserva para dar preferência a uma única competição, que joga campeonato sem o objetivo de conquistá-lo, mas só para cumprir tabela. Ninguém na torcida suporta mais o discurso que considera o vice-campeonato um ótimo resultado. E que brigar por vaguinha em torneio continental é um grande negócio.

2) Tomar um vidro de antibióticos para afastar a possibilidade de praticar joguinho excessivamente cauteloso, principalmente quando alcança a vantagem, como faziam Zé Ricardo e Reinaldo Rueda, pois existe desde já a desconfiança de que Barbiéri fará o mesmo. Sim, os seus antecessores preferiam recuar depois de construir o placar mínimo, acreditando que poderiam liquidar os adversários nos contra-ataques, o que poucas vezes conseguiram de fato, daí um punhado de resultados decepcionantes. Logo, jamais consagraram de verdade o modelo que escolheram pôr em prática.

3) Tomar remédio para a memória, com o objetivo de lembrar sempre de estudar a maneira de jogar dos adversários, tarefa hoje em dia tão próxima, tal a quantidade de recursos que permitem acompanhar futebol de qualquer lugar do planeta, notadamente dos nossos vizinhos de continente. Há gente que escreve sobre futebol com conhecimento de causa. Ontem mesmo, aqui neste site, um jornalista chamado Roberto Assaf, que frequenta estádios – dentro e fora do campo – desde criança, explicou como o Santa Fé e quase todos os times colombianos jogam, e o Flamengo acabou caindo como um ratinho burro inexperiente na armadilha deles.

4) Tomar estimulantes até entender de uma vez por todas que a Libertadores é um torneio excessivamente competitivo, e pior, tratante, velhaco, mau-caráter mesmo, pois sem essa compreensão jamais conseguirá disputá-la para ganhar.

5) Correr até a farmácia mais próxima e conseguir dois laterais que saibam executar cruzamentos, dois apoiadores que tenham disposição e um mínimo de habilidade para tomar a bola do adversário e sair jogando, outros dois para conduzi-la ao ataque com facilidade, e mais dois, na frente, que saibam efetivamente concluir.

6) O doutor Ludopédio disse ainda que está procurando um remédio eficaz que leva o sujeito que joga futebol com a camisa do Flamengo a tomar vergonha na cara. Não conseguiu encontrar a medicação nas cercanias da Gávea. Mas garantiu que vai encomendar e enviar dezenas de caixas para a portaria principal do clube, na Lagoa Rodrigo de Freitas. Difícil mesmo, explicou o renomado médico, é encontrar analgésicos que possam evitar a frustração de uma torcida apaixonada e fiel.