Mal acabou o jogo em Bogotá e veio a certeza absoluta: o Flamengo precisa com urgência de um treinador. Não é possível que o atual não tenha percebido que dava para ganhar.

É normal que haja alguma apreensão antes da partida. O ambiente é estranho, o adversário também necessita da vitória, não se tem a idéia de qual será o comportamento do árbitro, enfim… Mas depois de 15 minutos de bola rolando, ficou evidente que o leão era manso, e mais, parecia desarvorado. Assim, bastava um pouquinho de organização, meia dúzia de passes trocados no meio, até a linha de frente, para chegar ao gol. Nada que exigisse um gênio ou um esforço extraordinário.

É oportuno afirmar também que não houve preguiça por parte dos atletas, como muita gente vem apregoando, atribuindo-lhes a culpa total pelo fracasso. Ficou claro, isso sim, a ausência de um comandante em todos os sentidos, alguém capaz de escalar o time de acordo com as circunstâncias, ou providenciar as substituições que o jogo pedia, ainda no primeiro tempo.

Como dito na análise de ontem, o estádio contava com público modesto, um tanto comportado, para a importância do duelo. O time da casa, desde o começo, deixava evidentes as suas limitações. E o árbitro – que só errou contra o Flamengo nos acréscimos – não mostrava receio da torcida, tanto que sequer assinalou um pênalti claro de Henrique Dourado, aos 35 minutos.

Pois se não havia pressão absurda das arquibancadas, agressividade do Santa Fé, e má intenção do trio uruguaio, também não havia motivo para Maurício Barbiéri segurar o time, ou não tentar modificá-lo, mantendo no meio dois jogadores inúteis, William Arão, fraco em todos os aspectos, e Diego, visivelmente fora de forma, praticamente se arrastando, notadamente na etapa derradeira.

O problema é que os conceitos do treinador priorizam o jogo defensivo, e quando há necessidade de virar o rumo, a chave permanece presa na ignição. Mas é fato também que não adianta só ficar escrevendo ou falando demais das dificuldades, pois deles a torcida já sabe.

É necessário sobretudo encontrar soluções. Ou pelo menos tentar fazê-lo. O que se ouve é que não há ninguém no mercado para assumir o cargo. Os que poderiam ocupá-lo estão empregados. Ou, numa visão geral, “velhos” e “ultrapassados”, seja lá o que tais juízos representem. Assim, voltaremos ainda hoje ao assunto, sugerindo nomes que poderão provocar as mais absurdas polêmicas, ou quem sabe até um consenso geral, o que parece difícil, dado o momento delicado.