Disposição não faltou. Em momento algum. Mas a euforia geral, da torcida e dos jogadores, diante do ambiente festivo, e de um adversário supostamente bem mais frágil, andaram atrapalhando. Daí, com certeza, o Flamengo ter esquecido em algum lugar, fora do Maracanã, a paciência que foi a principal virtude do time em compromissos anteriores.

Logo, se o 0 a 0 foi suficiente para a classificação para as quartas da Copa do Brasil, o resultado serviu também para mostrar, mais uma vez, que não existe vitória de véspera, e que todos os adversários merecem o mesmo respeito.

Pois é. Ao contrário do que ocorrera na vitória contra o Inter, domingo passado, o Flamengo começou afoito, tentando superar a retranca da Ponte aos trancos e barrancos, querendo justificar com rapidez a empolgação da galera, enquanto o adversário fazia exatamente o oposto. Ou seja, procurava tocar a bola, gastando o tempo, obedecendo com eficiência ao esquema tático armado por Doriva, bem distribuído nos três setores, notadamente na defesa, na qual o Rubro-Negro não conseguia encontrar espaços. “Concentrado e solidário”, como disse o treinador, um pouquinho antes da partida.

E se os contra-ataques da Macaca não chegavam e assustar, o time de Barbiéri também não criava oportunidades, tanto que chutou com perigo pela primeira vez aos 37 minutos, com Vinícius Júnior, porém para fora. As tabelas dos compromissos anteriores não funcionavam, pois a equipe paulista conseguia evitá-las na origem, e as jogadas pelas pontas não surtiam efeito, pois Rodinei e Geuvânio, pela direita, e Vinícius Júnior, pela esquerda, esbarravam com facilidade em seus marcadores. Renê, no apoio, como se sabe, não existe. Assim, a partida foi para o intervalo sem qualquer definição.

O Flamengo voltou com a mesma disposição, cometendo, no entanto, os mesmos erros. E a Ponte ainda mais recuada, uma evidente estratégia para convidar o adversário inteiro ao avanço desenfreado, o que deixaria a sua retaguarda inteiramente desguarnecida. Doriva trocou Paulinho, com cartão amarelo, por Tiago Real, com o objetivo de organizar melhor as saídas em velocidade da Ponte. E aos 15 minutos, diante das dificuldades, Barbiéri lançou Jean Lucas e Guerrero, respectivamente nos lugares de Geuvânio e Henrique Dourado.

A tarefa da dupla era dar um toque mais refinado, no meio e na frente, quem sabe tornar o jogo mais cadenciado. Curiosamente, quem passou a fazê-lo foi o adversário, dado que o Flamengo, ansioso, não conseguia reter a bola. E porque, é claro, o time campineiro necessitava de pelo menos um gol.

O Rubro-Negro aproveitou para forçar um pouco mais. Ivan fez ótima defesa em chutaço de Éverton Ribeiro. Mas a Macaca deu o troco. Felipe Cardoso, de virada, acertou a trave direita de Diego Alves, deixando a certeza de que os deuses do futebol torcem pelo Guarani. E nada mais houve de interessante, à exceção do comportamento da torcida, que apoiou até o fim, que o time correu bastante, e que a classificação, afinal, estava garantida.

FLAMENGO 0 x 0 PONTE PRETA / SP

Data: Quinta-feira, 10 de maio de 2018.

Competição: Copa do Brasil / Oitavas de Final / Volta.

Local: Estádio Jornalista Mário Filho / Maracanã, no Rio de Janeiro / RJ.

Público: 52.497 pagantes / 55.822 presentes / 3.325 gratuidades.

Arbitragem: Ricardo Marques Ribeiro, Guilherme Dias Camilo e Sidmar dos Santos Meurer / MG.

FLAMENGO: Diego Alves, Rodinei, Léo Duarte, Réver e Renê; Cuellar, Lucas Paquetá, Éverton Ribeiro e Geuvânio (Jean Lucas 61’); Henrique Dourado (Guerrero 61’) e Vinícius Júnior (Marlos Moreno 89’). Técnico: Maurício Barbiéri.

PONTE PRETA: Ivan, Igor, Reynaldo, Renan Fonseca e Marciel; Nathan, Paulinho (Tiago Real 53’), Lucas Mineiro (João Vítor 77’) e Júnior Santos; Felipe Saraiva (Aaron 75’) e Felipe Cardoso. Técnico: Dorival Guidoni Júnior – Doriva.