Francamente, não há uma razão absolutamente lógica para poupar jogadores em partida oficial, em campeonato importante, que é decidido por pontos corridos. Assim, a derrota de 3 a 2 para a Chapecoense, foi um verdadeiro castigo diante da praga atual do futebol, escalar o chamado “alternativo”, capaz de desfigurar qualquer time, como ocorreu com o Flamengo, no interior de Santa Catarina. A fragilidade do adversário mostrou que com a equipe completa, o Rubro-Negro poderia ter até vencido com alguma facilidade. Francamente, como pensar em título com um conceito destes?

O Flamengo começou um tanto preguiçoso, convencido de que não teria problemas para controlar o jogo, e marcar os gols com naturalidade. O problema é que a Chape apertou a marcação, distribuiu duas ou três bordoadas, e tomou conta do pedaço, deixando o adversário sem opções.

A confusão no Rubro-Negro já era notável, quando o time catarinense abriu o placar, aos 22 minutos, em chute de Canteros, completando passe de Apodi. Aos 25, Artur Caíque cabeceou livre, para fora, em falha coletiva da zaga. Menos mal. E como se não bastasse o desentrosamento, daí a dificuldade em dar continuidade aos rebotes da defesa, e ainda a posse de bola inútil, o time carioca ainda sofria com as chamadas faltas táticas cometidas pelo catarinense, o que tornava impossível qualquer aproximação com o gol. Faltou à equipe dirigida por Maurício Barbiéri, até ali, muito de tudo, e na visão de Diego, “uma movimentação mais profunda”, seja lá o que isso possa significar.

Não ocorreram substituições para a etapa derradeira, sugerindo que o treinador do Flamengo desperdiçara o tempo do intervalo para efetuar mudanças. O Rubro-Negro, no entanto, pelo menos no começo, voltou mais ligado, forçando o jogo ofensivo.

Aos quatro minutos, Marlos Moreno sofreu entrada forte de Rafael Thyere, na falta que Trauco cobrou para Guerrero, de cabeça, e aproveitando a saída em falso de Jandrei, para empatar. Aos sete, Douglas quase pôs Diego a nocaute. Só o amarelinho. Na sequência, porém, a Chape equilibrou o jogo, e o time da Gávea voltou a mostrar os problemas da etapa inicial, cedendo espaço, tanto que o adversário encontrou um jeito de cavar o pênalti – Jonas em Guilherme – que o próprio Guilherme converteu, aos 21.

E a impressão que se teve, após a vantagem catarinense, foi a de que o Flamengo não chegaria ao empate. Mas bastou lançar um titular indiscutível em campo para o time ganhar um pouquinho mais de corpo, e chegar ao empate, com Vinícius Júnior, escorando cruzamento de Trauco, aos 33.

Mas a praga do “alternativo” não perdoa. E quando parecia de fato que tudo terminaria como estava, Leandro Pereira fez 3 a 2, em vacilo de César, um resultado trágico, que prova, vale repetir, que time alternativo é para amistoso. Francamente, como pensar em título com um conceito destes?

FLAMENGO 2 x 3 CHAPECOENSE / SC

Data: Domingo, 13 de maio de 2018.

Competição: Campeonato Brasileiro / 5ª rodada.

Local: Arena Indio Condá, em Chapecó / SC.

Arbitragem: Leandro Pedro Vuaden, Jorge Eduardo Bernardi e José Eduardo Calza / RS.

Gols: Canteros 22’, Guerrero 49’, Guilherme 68’ (pênalti), Vinícius Júnior 78’ e Leandro Pereira 90’.

FLAMENGO: César, Pará (Henrique Dourado 82’), Léo Duarte, Juan e Trauco; Jonas, Jean Lucas (Vinícius Júnior 70’), Rodinei e Diego; Marlos Moreno (Cuellar 84’) e Guerrero. Técnico: Maurício Barbiéri.

CHAPECOENSE: Jandrei, Apodi (Bruno Silva 79’), Rafael Thyere, Douglas e Bruno Pacheco; Amaral, Márcio Araújo, Canteros (Neném 84’) e Guilherme (Eduardo 72’); Artur Caíque e Leandro Pereira. Técnico: Gilson Kleina.