O Flamengo não jogou mal. E permaneceu invicto na Libertadores. No entanto, acabou em segundo lugar no Grupo D, pois mais uma vez faltou ousadia para obter uma vitória fora de casa, dado que o River Plate, satisfeito com o empate, também não saiu decidido em busca do ataque por todo o tempo, oferecendo oportunidade para que o visitante deixasse o campo vencedor. Ou seja, o Rubro-Negro, a exemplo do que fez em outras partidas, mostrou futebol suficiente apenas para terminar mesmo em segundo lugar. Menos mal que a luta continua

 O Flamengo começou como deveria, buscando o ataque, com a bola passando pelo meio, sem descuidar da defesa. Aos sete minutos, Vinícius Júnior completou errado, um tanto precipitado, um chute de Everton Ribeiro. Até os 20, o River não conseguiu impor o seu ritmo. Daí em diante, percebendo que o Rubro-Negro jogava à vontade, adiantou a marcação, e passou a fechar a saída de bola do adversário. E o Flamengo passou a fazer o que não seria nada recomendável: recuar.

Assim, os argentinos começaram a trocar passes, cavando faltas perto da área, e o carioca reagiu à pressão com chutões sem direção, deixando a posse da bola com a equipe local. Como num passe de mágica, o time da Gávea começou a apostar no surrado expediente dos contra-ataques, mas não conseguia executá-los, pois a defesa do River, bem atenta, não tinha problemas em evitá-los. Pior, o Flamengo perdia todos os rebotes e divididas. Aos 42, Scocco, de frente, bateu à esquerda. Mesmo assim, foi o onze do Rio que desperdiçou a melhor chance do primeiro tempo, aos 45, quando Rodinei cruzou da linha de fundo, com uma pancada, e a bola passou voando por três rubro-negros dentro da pequena área. Um passe simples, ali, e o placar estaria aberto.

Os times voltaram sem mudanças para a etapa derradeira. O que haveria de novo? Jogo igual até os oito minutos, quando Pratto fez pênalti em Rhodolfo, puxando a camisa do zagueiro. E um River mais acomodado, sem que o Flamengo, no entanto, não soubesse aproveitar, rifando a bola mais do que deveria, trabalho a ser corrigido por um líder destacado, que o time não tem no campo, ou pelo treinador, normalmente com uma substituição.

Com 20 minutos, a equipe argentina, percebendo tal dificuldade, retomou a posse da bola, e a torcida, um tanto calada neste tempo, voltou a cantar. Os equívocos do Rubro-Negro, ali: Jean Lucas com receio de arriscar, Éverton Ribeiro aparecendo pouco, Lucas Paquetá prendendo o jogo, e Henrique Dourado inútil, como pivô ou atacante efetivo. Finalizou pela primeira vez aos 25 minutos. Vale ressaltar também que Jonathan Maidana é madeira de dar em doido. Aos 26, enfim, recebeu o merecido amarelo.

Naquele momento, porém, o que já se perguntava, levando-se em conta que o Flamengo precisava da vitória, era o motivo pelo qual o treinador interino do interino não efetuava substituições. Logo, depois de um erro de Diego Alves, que quase entrega o ouro, Gallardo lançou Borré e Rojas. Aos 37, afinal, saíram Jean Lucas e Henrique Dourado, para as entradas respectivamente de Jonas e Lincoln. Pouco depois, Marlos Moreno. O que é Marlos Moreno? Aos 44, Santos Borré, de virada, mandou no travessão. E assim ficou. 0 a 0. Justo, mas insuficiente para o Flamengo, embora a vaga, como consolo, esteja na mão. O problema é: até quando jogaremos para consolo?

FLAMENGO 0 x 0 RIVER PLATE / ARGENTINA

Data: Quarta-feira, 23 de maio de 2018.

Competição: Copa Libertadores da América / Grupo D / 6ª rodada.

Local: Estádio Américo Liberti Vespucio / Monumental de Nuñez, em Buenos Aires / Argentina.

Público: não divulgado.

Arbitragem: Andrés Ismael Cunha Soca, Mauricio Espinosa Rodriguez e Nicolas Alfredo Taran Mendez / Uruguai.

FLAMENGO: Diego Alves, Rodinei, Léo Duarte, Rhodolfo e Renê; Cuellar, Jean Lucas (Jonas 82’), Éverton Ribeiro e Lucas Paquetá; Henrique Dourado (Lincoln 82’) e Vinícius Júnior (Marlos Moreno 85’). Técnico: Maurício Ferreira de Souza / Maurício Barbiéri suspenso.

RIVER PLATE: Franco Armani, Gonzalo Montiel, Jonathan Maidana, Javier Pinola e Marcelo Saracchi; Enzo Perez, Leonardo Ponzio, Ezequiel Palacios (Ariel Rojas 77’) e Ignacio Fernandez; Ignacio Scocco (Rodrigo Mora 82’) e Lucas Pratto (Rafael Santos Borré 77’). Técnico: Marcelo Gallardo.