O jornalista Aydano André Motta, ex-colega de JB, ressaltou no programa Redação Sportv que o Flamengo perdeu a sua representatividade internacional. O Carlos Peixoto também já havia comentado – e reclamado – tal situação com este site. Nenhuma dúvida. Para quem não sabe, o Rubro-Negro foi pela última à Europa em agosto de 2000, e sem muito brilho. Foi derrotado por 3 a 1 pelo Atlético de Madrid, na capital da Espanha, e venceu o Bétis por 2 a 1, em Sevilha. Dois jogos amistosos. São 18 anos.

É necessário ressaltar, no entanto, que esta não é uma falha apenas do Flamengo, mas de vários clubes brasileiros, que deixaram de disputar, notadamente os torneios de verão, por culpa do nosso calendário. Tais competições ainda ocorrem em julho e agosto, quando os europeus estão em período de pré-temporada, e vale lembrar que todos os gigantes do país conquistaram por lá as vitórias e as taças que acabaram sendo fundamentais para a consagração definitiva do futebol verde e amarelo no cenário mundial.

Sim, como se dizia antigamente, a Europa várias vezes foi obrigada a se curvar diante de nós, entre 1950 e o fim da década de 1980. O Flamengo ganhou mais de 10 títulos no período, na Alemanha, Espanha e Itália, incluindo o bi do Troféu Ramon de Carranza em 1979 e 1980.

Nos últimos 30 anos, o calendário brasileiro foi sendo absurdamente inchado, e não sobrou mais tempo para as excursões que representavam dólares e prestígio – ou prestígio e dólares, levando-se em consideração que o sucesso nas competições geravam mais convites e participações, e daí, é claro, muito dinheiro em caixa.

Não defendemos aqui aquelas viagens comuns nas décadas de 1960 e 1970, que duravam, em algumas ocasiões, mais de três meses, uma loucura descabida, mas breves participações em dois ou três torneios que possam trazer lucro e vitórias.

Para tal, seria necessário modificar o calendário, ou na impossibilidade dessa hipótese, tornar as competições mais racionais, abrindo assim as brechas que permitissem aos clubes ampliar os seus horizontes. Este site não é, por exemplo, contrário aos estaduais, mas ceifando três de suas datas, e antecipando o Brasileiro, haveria espaço suficiente para visitar o Velho Continente.

Como comentou o Peixoto, estamos caminhando na contramão da história, pois assistimos de longe os grandes clubes da Europa buscando cada vez mais novos mercados, notadamente na Ásia, para faturar não só com os amistosos, mas com a venda de camisas, bandeiras, bonecos, chaveiros, enfim, todos os símbolos que possam representá-los. Os gigantes do Brasil, na realidade, há muito sequer discutem o assunto, que dorme em algum lugar do passado, na esperança que alguém venha despertá-lo.

É fundamental lembrar aqui que o Flamengo e o Grêmio foram os responsáveis por arrancar os nossos clubes do sono que os deixavam restritos às competições nacionais, valorizando, a partir do começo da década de 1980, a Copa Libertadores da América, e o próprio Mundial, ambos então relegados ao limbo.

E se hoje o torneio continental é o objetivo principal dos brasileiros, a Europa, na realidade, continua tão longe de nós como na época de Pedro Álvares Cabral. É preciso, portanto, pensar rapidamente em encurtar essa distância.