Agora é oficial. O Flamengo virou time pequeno. Pelo menos é assim que joga no Brasileiro, como ficou mais uma vez evidente, agora diante do Atlético, no Independência. Mas como no futebol tudo é possível, o Rubro-Negro, numa bola estourada, graças à velocidade de Vinícius Júnior, e de uma bobeada incrível do jovem Emerson, conseguiu vencer por 1 a 0, e por mais fantástico que possa parecer, assumir a liderança provisória do campeonato. Quem acompanhou as partidas do Campeonato Mineiro de 2018 sabe que nem diante dos figurantes dessa competição o Atlético enfrentou algum adversário tão fechado. É fato, porém, que não faltou ao time, a vontade que não se vê na filosofia de jogo do seu treinador.

O Flamengo já entrou recuado, dando espaço para o Atlético armar as jogadas, e um pouco menos para concluí-las, pois concentrava praticamente o time inteiro na grande área, tentando sem sucesso sair nos contra-ataques. Após os 20 minutos, no entanto, a pressão era tão flagrante, fora e dentro do campo, que o Alvinegro passou a criar oportunidades em sequência, a mais evidente numa cabeçada de Roger Guedes, aos 27 minutos, no travessão. Com meia hora, Cazares cruzou da direita e Thuler empurrou Alerrando, em pênalti que o árbitro ignorou, ou quem sabe, não viu.

O Flamengo só tinha uma solução ofensiva, os lançamentos para Vinícius Júnior, que corria para todos os lados, mas que na rara chance que surgiu – ficou livre na frente de Victor – lançou a bola de maneira ridícula nas mãos do goleiro. Pelo menos dois jogadores rubro-negros, Éverton Ribeiro e Henrique Dourado, não eram notados. Parecia impossível que o primeiro tempo pudesse terminar 0 a 0, tal incapacidade que o Flamengo mostrava para praticar o que o torcedor chama de futebol. Mas, incrível, isso aconteceu. “A gente não está conseguindo sair de trás com a bola dominada”, resumiu Éverton Ribeiro, ao deixar o campo, como se fosse necessário ressaltá-lo.

Não ocorreram mudanças no intervalo, sugerindo que a etapa derradeira seria igual. E assim se fez. O Atlético atacando, o time carioca respondendo com chutões, que devolviam o jogo ao adversário, sem que o treinador tomasse alguma providência. Qual a utilidade de Henrique Dourado, lento e sem movimentação, quando a equipe está toda recuada? Permanecia, pois, aquela impressão de que o Alvinegro abriria o placar a qualquer momento. Aos 20 minutos, Larghi trocou Alerrando por Erik. Aos 23, Barbiéri enfim substituiu o seu nulo centroavante por Jean Lucas. Será que o Flamengo poderia – afinal – sair trocando passes? Nada. A pressão do Atlético aumentou.

E, no entanto, aos 34 minutos, num dos muitos chutões da zaga rubro-negra, quis o destino que a bola fosse na direção de Vinícius Júnior – e por isso que ele não pode nunca ser substituído – que superou o lateral Emerson, e rolou na área para Éverton Ribeiro, que o acompanhava, e que só tocou para dentro: 1 a 0. Para dar maior emoção ao espetáculo, Barbiéri lançou Rômulo, deixando em aberto – e até o fim a possibilidade de qualquer resultado. E ainda teve de tudo. Victor tentando o gol e bola no travessão. Mas o 1 a 0 ficou. Barbiéri, positivamente, não dá.

FLAMENGO 1 x 0 ATLÉTICO MINEIRO

Data: Sábado, 26 de maio de 2018.

Competição: Campeonato Brasileiro / 7ª rodada.

Local: Estádio Raimundo Sampaio / Independência, em Belo Horizonte / MG.

Público: 15.700 presentes.

Arbitragem: Anderson Daronco, Élio Nepomuceno de Andrade Júnior e Rafael da Silva Alves / RS.

Gol: Éverton Ribeiro 79’

FLAMENGO: Diego Alves, Rodinei, Léo Duarte, Thuler e Renê; Jonas, Diego, Éverton Ribeiro (Rômulo 85’) e Lucas Paquetá; Henrique Dourado (Jean Lucas 67’) e Vinícius Júnior (Felipe Vizeu 91’). Técnico: Maurício Barbiéri.

ATLÉTICO:  Victor, Emerson, Bremer, Gabriel e Fábio Santos; Adílson, Gustavo Blanco (Otero 78’), Luan e Cazares (Tomás Andrade 84’); Roger Guedes e Alerrandro (Erik 65’). Técnico: Thiago Larghi.