O lugar-comum, quando se comenta sobre as probabilidades de um clássico, notadamente regional, é afirmar que não há um favorito. Isto ocorre porque vem sempre à tona, neste momento, os fatos que levaram ao surgimento dos clubes, e daí todas as diferenças que construíram a rivalidade, no caso de Flamengo e Vasco, dos tempos das grandes regatas do século retrasado, origem de ambos.

Numa análise sobre os resultados recentes, em competições distintas, o que se vê é que os rubro-negros têm uma regularidade mais evidente, pois os cruz-maltinos alternam boas vitórias com derrotas decepcionantes. Um exemplo: golearam o América-MG por 4 a 1 e perderam por 3 a 2 do Vitória-BA, os dois jogos dentro de São Januário, onde outrora raras vezes sofriam algum revés.

É fato que o Flamengo não consegue efetivamente convencer a sua galera. Mas pelo menos resgatou o fator raça, que faz parte de sua trajetória, e que parecia perdido em algum lugar do passado. O Vasco também joga com disposição, e a sua própria torcida reconhece, mas além de ter um elenco inegavelmente mais fraco, ainda se vê incomodado com as confusões políticas que tumultuam o clube, e quem puder comprove que tais trapalhadas não interferem no cotidiano do futebol.

O Flamengo atual quase sempre tem o controle da bola, e até do jogo, mas em muitas ocasiões não consegue transformar tudo isso em gols, falhando no último passe ou nas conclusões. E o Vasco apresenta dificuldades terríveis no sistema defensivo, que foi vazado 17 vezes em um mês, com duas derrotas de 4 a 0, inadmissível para um clube do seu porte, o que facilitaria a vida do rival no que esse tem de pior.

Logo, seria quase uma obrigação afirmar que o Flamengo é o favorito para o clássico deste sábado. Mas quando a bola rola, entram em cena as tais diferenças que vem desde as regatas do Século 19, e o equilíbrio, em alto ou baixo nível, entra efetivamente em cena. É briga de cachorro grande, como diria o Velho Apolo. Mas o momento do rubro-negro é melhor.