As opiniões sobre a vitória em BH ficaram divididas, neste domingo em que a Nação comemora os 17 anos da conquista do Estadual de 2001, com aquele fantástico gol do Pet. Muitos vibraram com o resultado e a liderança do Brasileiro. Outros tantos, a exemplo desse que vos escreve, ficaram com a pulga atrás da orelha, notadamente pela estratégia adotada pelo treinador interino: tranca o time na defesa e lança a bola para o Vinícius Júnior correr.

Às vezes, como ontem, decide, em outras não. O problema é que o atacante vai embora para a Espanha durante a Copa. E o time ficará órfão. Pois é. O Flamengo que se viu no Independência é um deserto de idéias. E VJ é um oásis. Sem ele, não haverá água para beber, e o Rubro-Negro morrerá de sede.

A sua permanência ainda é possível. Mas mesmo que isso ocorra, a situação não estará resolvida, pois não é possível um gigante como o Flamengo jogar todas as partidas como pequeno, chutões para todos os lados, tomando bolas nas traves, rezando preces para o acaso. É absolutamente insuportável.

Como dito, o futebol e seus milagres. Se o primeiro tempo terminasse com 3 a 0 para o Atlético seria um placar normal. Os deuses de plantão não deixaram. Fim de jogo, veio aquela sensação imediata de um triunfo histórico e inesquecível. Alívio, abraços e lágrimas.

Pouco depois, vem o reflexo, e a certeza de que isso é próprio dos times pequenos quando derrotam os gigantes. E o sentimento de que o Flamengo precisa definitivamente de gente que pense grande, pois ainda restam 31 rodadas para o fim do Brasileiro, e será impraticável disputá-lo até o fim bebendo água no único laguinho que há no deserto. Haverá ocasiões em que tudo não passará de miragem. Pois futebol não é disputado no Saara, jogador não é camelo, e o Flamengo não é tuaregue, e torcedor não é roadrunner.

Pois é. Já ficou evidente que não vai dar para resistir ao modelito adotado pelo técnico interino.