O Flamengo deveria usar, além do time completo e do futebol, é claro, a receita do Velho Apolo Washington Rodrigues para vencer o River Plate no Monumental: dada a saída, partir para cima dos Millonarios com mau hálito, cheiro de morrinha, cabelo despenteado e barba por fazer.

Na Libertadores, vez por outra, funciona assim. Assustar logo de cara aquele que considera que vai te meter medo. É evidente que não deve proceder assim de forma absolutamente desorganizada, como se disputasse uma pelada, deixando a defesa totalmente desguarnecida. Mas mostrar valentia pode valer o primeiro lugar do grupo.

É necessário lembrar que tal postura não deve ser confundida com violência, pois os brasileiros normalmente entram pelo cano quando resolvem bater, principalmente contra os argentinos, que conhecem bem o que chamamos de catimba, e que segundo o dicionário que este vos escreve utiliza – o da Academia Brasileira de Letras – significa “astúcia, esperteza, manha, recurso malicioso”.

O time atual do River não é superior ao do Flamengo. No entanto, se Maurício Barbiéri entrar recuado, sugerindo respeito excessivo ao adversário, será humilhado. O jovem estagiário poderia dar uma olhadinha no teipe da recente vitória do Palmeiras sobre o Boca Juniors, 2 a 0 na Bombonera, para perceber como é possível surpreender os argentinos dentro de casa. A pressão dos torcedores millonarios também é poderosa, mas a paciência está em nível bem abaixo da galera do grande rival, e bastam 20 minutos de mau futebol para a cobrança começar.

O River disputou duas partidas no Américo Vespucio Liberti, o Monumental de Nuñez, na Libertadores atual. Empatou com o Santa Fé por 0 a 0 e venceu o Emelec por 2 a 1. Mas teve dificuldades contra ambos, pois colombianos e equatorianos jamais abriram mão de atacar, deixando os argentinos preocupados nos 180 minutos.

Barbiéri: não dá para recuar diante dos caras. Se o fizer, vai perder. É até normal a tentativa de segurar um resultado positivo no fim. Mas desde o começo é suicídio. Assim sendo, vamos lá: mau hálito, cheiro de morrinha, cabelo despenteado e barba por fazer.