O lançamento de um time recheado de reservas, prática que ganhou o nome de “time alternativo”, diante da Chapecoense, foi considerado por analistas e torcedores como a causa principal da derrota de 3 a 2 para o time catarinense.

Logo, para não ficar restrito a uma discussão sem qualquer profundidade, é necessário afirmar que a decisão de poupar jogadores é invariavelmente tomada pelos profissionais que formam uma Comissão Técnica. E que essa, é evidente, elabora um relatório, que utiliza princípios científicos, e que informa o treinador sobre as condições gerais dos atletas.

O procedimento é uma evolução da preparação física. Tais métodos praticamente inexistiam até a década de 1990, dado que acompanham todos os níveis de resistência dos integrantes de um time de futebol, e a possibilidade do aproveitamento maior ou menor de cada um ao longo das competições disputadas ao longo do ano.

Parece que também não há como questionar – notadamente o leigo – a competência dos profissionais. Há um fato, no entanto, que derruba todos os argumentos favoráveis à utilização do “time alternativo”, pelo menos no Flamengo: não está trazendo resultados favoráveis.

O que ocorre basicamente é que os treinadores mais jovens estão devidamente encaixados aos conceitos dos demais preparadores, e embora a maior responsabilidade caia sempre sobre os seus ombros, eles acabam acatando as decisões da CT, pois caso algum jogador, notadamente se for o craque do time, sofrer alguma contusão mais grave, a cobrança será insuportável. Os treinadores veteranos também vão pouco a pouco assimilando a nova ordem, mas têm bagagem suficiente para tomar as suas próprias decisões, e o fazem sem pestanejar, quando percebem que precisam mandar o laboratório para o espaço.

Embora não seja uma novidade, pois vários times brasileiros já estiveram por lá, e para ficar num exemplo bem próximo, os atletas do Fluminense terminaram a partida com o Nacional de Potosí absolutamente esgotados, com a resistência minada, não só pela altitude, mas pelos transtornos enfrentados na viagem, antes e depois do confronto. Logo, deveriam ser todos poupados para o próximo compromisso. Serão?

Como se vê, a avaliação do “time alternativo” vai além da discussão rasteira. No entanto, por mais que os profissionais rubro-negros da CT estejam trabalhando com correção, a bisonha derrota para a Chape mostrou que o Flamengo não tem um elenco fantástico, como tanto se afirma, e que escalar reservas em excesso, em jogos que valem três pontos, é algo inviável.

E para encerrar, deixando a prosa e a base científica um pouco de lado, meninos de 20 a 25 anos de idade, tratados a pão de ló, com salários formidáveis, não podem sofrer tanto como garantem os preparadores. Pois derrotas como a que o “time alternativo” conheceu no interior catarinense desgastam, na realidade, muito mais o clube, e os muitos compromissos que tem, do que propriamente os atletas.