O Flamengo assumiu a liderança do Brasileiro, e como não poderia deixar de ser, começaram também os comentários que garantem: a tabela foi confeccionada sob medida para o clube.

Alegam entusiasmados, os bravos acusadores, soltos a cada esquina do Rio, que o objetivo é levar o time da Gávea a acumular o maior número de pontos até o início da Copa do Mundo, quando a competição nacional será paralisada, e que nesse período de um mês, até o seu retorno, o Rubro-Negro poderá contratar enfim os reforços necessários para mantê-lo na ponta até o fim do campeonato. A trama, de acordo com os autores do libelo, que pululam pelas ruas, é sórdida, pois foi costurada com os dirigentes rubro-negros, em troca de generosos favores.

Não vamos aqui estudar a tabela, explicando a ordem das partidas, ou analisar se os adversários de cada rodada são mais ou menos fortes, se vem da Série B, ou se disputam o Brasileiro apenas para evitá-la, em 2019.

O que pretendemos sustentar é que os autores desta tese são pessoas desprovidas de cérebro, e logo, de qualquer percepção lógica, porque há um fato evidente, que contraria todos os argumentos: os clubes vão se enfrentar, em dois turnos, dentro e fora de casa, o que deixa definitivamente claro que o campeonato é absolutamente igual para todos.

É preciso ressaltar ainda que a paralisação é válida para os 20 participantes, e que todos terão assim a oportunidade de buscar jogadores no período, aqui e no exterior. Mais uma: quando se acusa alguém de suborno, é necessário provar, portanto não o façam além das esquinas, ou seja, oficialmente ou na mídia, não importa qual.

Curiosamente, os que chegaram à notável descoberta são os mesmos que acusam o Flamengo de ser historicamente o grande beneficiado pelas arbitragens. Deve ser por isso que o Rubro-Negro – não dá para deixar a ironia de lado – ficou 16 anos, até 2009, sem ganhar o Brasileiro, e que agora já suporta outros oito sem conquistá-lo.

Torçam contra, ok, isso é do futebol. Mas criar acusações que tombam ao primeiro sopro como um castelo de cartas é de morrer de rir.