O Inter, adversário do Flamengo, domingo no Maracanã, foi eliminado no Estadual pelo maior rival, o Grêmio, e na Copa do Brasil pelo Vitória-BA. Utilizou 32 jogadores em 21 partidas, e o seu técnico, Odair Helmann, é fervoroso adepto de uma das maiores pragas atuais do futebol, o “time alternativo”. Assim, ainda não conseguiu definir uma equipe que possa chamar de titular, e cumpre por enquanto temporada irregular, com 10 vitórias, cinco empates e seis derrotas.

No coletivo que fez nesta sexta-feira, dia 4, antes de embarcar para o Rio, pôs em prática outra doença que contagia os tempos modernos, o “treino fechado”, que atrapalha o trabalho da imprensa, e frustra o torcedor, que fica sem informações do que ocorreu no clube ao longo do dia.

Dessa forma, e como sempre ocorre em tais ocasiões, repórteres e comentaristas ficaram limitados a um exercício de suposições, fazendo projeções com base em jogos anteriores, o que fica ainda mais complicado quando o técnico promove muitas alterações a cada compromisso.

Logo, os jornalistas que cobrem o cotidiano concluíram que Helmann lançará no Maracanã um time prioritariamente ofensivo, com D’Alessandro, Patrick, William Pottker e Leandro Damião. Caso tal providência seja de fato confirmada, a primeira pergunta que se faz é se o Flamengo poderá entrar em campo com apenas um volante, como ocorreu contra o Ceará e a Ponte Preta, e sendo assim, quem será sacado para lançar um companheiro para Cuellar.

Alguém dirá que ao deixar a dúvida da escalação no ar, o comandante colorado fez certo ao realizar o “treino fechado”, pois Maurício Barbiéri também ficou impossibilitado de definir quem escalará. É evidente, no entanto, que ao tomar conhecimento da estratégia do adversário, o técnico rubro-negro já trabalhou com hipóteses distintas, até porque, francamente, pelo seu elenco, e pelo que se viu do Inter em 2018, parece pouco provável que Helmann possa criar algo revolucionário, que mudará os rumos do nobre esporte bretão. Importante mesmo é ressaltar que o Inter é um dos gigantes do futebol brasileiro, ou seja, a sua camisa vale muito, e será sempre um adversário a ser respeitado.

Quanto a Guerreiro, continuamos a afirmar que o peruano deveria iniciar o jogo, pois além do que dissemos ontem, e que está disponível no site, é mais interessante que dê logo uma idéia de como está no primeiro tempo, do que depois, num momento em que o Flamengo comece a encontrar dificuldades que seriam normais diante de um adversário do nível do Inter. Como disse o gênio Didi, treino é treino, e jogo é jogo. Logo, só saberemos as suas reais condições quando estiver disputando três pontos, e se entrar mais tarde, fora de ritmo, não trará prejuízos ao time.

História – Vamos mostrar aqui um exemplo de peso para mostrar a bobagem que é o tal do “treino secreto”. Na campanha do tri, em 1970, no México, Aymoré Moreira, o técnico campeão mundial de 1962, trabalhou como articulista para a revista “Placar”, e como observador de adversários para a Seleção Brasileira.

Acompanhou praticamente incógnito os “treinos secretos” da Itália, e já sabia, dois dias antes da decisão, que Ferruccio Valcareggi, o técnico da Squadra Azzurra, não escalaria Gianni Rivera, Il Bambino D’Oro, um dos craques mais importantes do time – ao lado de Giacinto Fachetti e Gigi Riva – diante do Brasil.

Para encurtar a história, a equipe dirigida por Zagallo, como se sabe, enfiou 4 a 1 na Itália, e muito confrontado, depois da partida, Valcareggi alegou que a ausência de Rivera – que entrou em campo quando restavam seis minutos – se dera por “uma questão tática”, ou a necessidade de maior marcação sobre os homens de criatividade do Brasil.

Parece pouco provável, e jamais saberemos se teria sido possível alguma mudança na partida, mas é fato que os jornalistas italianos teriam pelo menos a chance de alertar sobre o equívoco do seu técnico, se os treinos da Azzurra fossem abertos.