No cômputo geral, nada que fosse muito além da expectativa. Sofrimento para marcar o gol, para segurar o resultado, para enfim garantir a vaga na próxima fase. Não seria exagero afirmar que a ansiedade andou atrapalhando, daí os erros comuns de uma partida de futebol, notadamente nas conclusões, mas é fato que em momento algum faltou disposição, e assim, a vontade de ganhar, daí a vitória de 2 a 0 sobre o Emelec, que não só pôs o Flamengo na oitavas da Libertadores, como calou o arco-íris, que foi dormir triste como um gatinho órfão. Destaques para Éverton Ribeiro, além de Réver, Renê e Vinícius Júnior, esse pelo primeiro tempo.

O começo foi mais angustiante do que se esperava, pois o Emelec não se limitava a ficar atrás, apostando numa bola. Tomava é claro cuidados defensivos, mas também procurava o ataque, o que era efetivamente perigoso, dado que o time equatoriano apanhava o Flamengo vez por outra desarrumado, com espaços até para arremessos. O que havia de previsto era a dificuldade que o Rubro-Negro encontrava para superar a zaga adversária, que contava invariavelmente com oito e até 10 homens, pois a equipe visitante atacava e recuava com velocidade e obediência tática.

Mesmo assim, o Flamengo teve pelo menos duas boas oportunidades. Aos cinco minutos, Vinícius Júnior tentou marcar um golaço, e errou o lençol, jogando a bola por cima. Aos 23, Juan cabeceou para grande defesa de Dreer. E aos 43, novamente o veterano zagueiro, testando livre, para fora, após falta cobrada por Diego. Em resumo, o Emelec não dava nenhuma impressão de que poderia ser derrotado com facilidade, até porque o Rubro-Negro, além do espírito de luta, não mostrava futebol suficiente para vencer. Diego, muito lento, atrasava a saída de bola.

Logo, faltava criatividade para surpreender e superar a muralha azul, e pior, havia um visível receio de tomar gol nos contra-ataques, o que também contribuía para travar o time. Restava torcer para que a equipe do Equador, dada a necessidade de ganhar, relaxasse a marcação, partisse para frente, e oferecesse espaços na retaguarda.

Pois isso ocorreu aos dois minutos do tempo final: Vinícius Júnior lançou Renê, que rolou para trás, houve o corte de Bagui, Diego bateu, e Éverton Ribeiro apanhou a sobra, chutando sem chance para Dreer: 1 a 0. Em desvantagem, o Emelec foi para o tudo ou nada, dando trabalho, porque o Flamengo começou a sair de forma atabalhoada, sem aproveitar o fato de os equatorianos avançarem tresloucadamente. O time carioca mostrava pressa, e ali já sem necessidade, errando, ora o penúltimo, ora o último passe. Na prática, o gol deveria, mas não deu tranquilidade, pois cada vez que o Emelec avançava, o coração dos rubro-negros apertava. Aos 39, Preciado levantou, Diego Alves deu o tapinha, e a bola acertou o travessão.

Mas eis que aos 46, falta de Mejía em Lucas Paquetá, na risca da área, que Éverton Ribeiro cobrou para manter 2 a 0. Fim do drama.

FLAMENGO 2 x 0 EMELEC / EQUADOR

Data: Quarta-feira, 16 de maio de 2018.

Competição: Copa Libertadores da América / Terceira Fase / Grupo 4 / 5ª rodada.

Local: Estádio Jornalista Mário Filho / Maracanã, no Rio de Janeiro / RJ.

Público: 36.754 pagantes / 40.390 presentes / 3.636 gratuidades.

Arbitragem: Diego Mirko Haro Sueldo, Raul Lopez Cruz e Victor Armando Raez Izaguirre / Peru.

Expulsão: Maurício Barbiéri 53’ / reclamação.

Gols: Éverton Ribeiro 47’ e 91’.

FLAMENGO: Diego Alves, Rodinei, Réver, Juan (Léo Duarte – intervalo) e Renê; Cuellar, Lucas Paquetá, Éverton Ribeiro e Diego (Jonas 86’); Henrique Dourado (Marlos Moreno 81’) e Vinícius Júnior. Técnico: Maurício Barbiéri.

EMELEC: Esteban Dreer, Juan Carlos Paredes, Jordan Jaime, Marlon Mejía e Oscar Bagui; Dixon Arroyo (Robert Burbano 90’),Osvaldo Lastra, Holger Matamoros (Fernando Luna 52’) e Ayrton Preciado; Joao Rojas (Jéfferson Montero 52’) e Carlos Orejuela. Técnico: Alfredo Carlos Arias Sanchez / Uruguai.

Créditos da imagem: André Durão via globoesporte.com