Fim de Copa, lá se vão aqui algumas considerações, apenas para não dizer que não falamos de flores. Caminhando e cantando, e seguindo a canção, aí vai o jardim. Quem sabe faz a hora, não espera acontecer.

1) O Brasil fracassou de forma retumbante, se levarmos em conta a bela campanha realizada nas Eliminatórias, e as atuações brilhantes nos amistosos, com e sem Neymar. O Brasil entra em Mundial para ser campeão, notadamente quando gera grande expectativa. Assim, qualquer outro resultado é descartável. Nada deu certo e é preciso que se faça uma mudança radical, incluindo o comportamento de Neymar, fora e dentro do campo..

2) A exemplo do Brasil, outras três seleções também decepcionaram por completo: Alemanha, Argentina e Espanha. Atuações e resultados medíocres. Também precisam começar tudo de novo.

3) Inglaterra, Rússia, Portugal e Uruguai também criaram expectativas, por razões distintas, mas chegaram em seus limites. A Inglaterra apresentou uma equipe bem armada, mas pecou pela juventude. A Rússia cresceu jogando em casa. No entanto, faltou a capacidade para decidir. Portugal sentiu a participação modesta de Cristiano Ronaldo. E o Uruguai ficou sem Edinson Cavani no momento em que mais precisava do seu principal atacante e artilheiro.

4) Bélgica e Croácia jogaram o melhor futebol do Mundial. A França, enfim campeã, praticou um jogo pragmático no começo, e bastante eficiente a partir das oitavas de final, contando com as boas atuações de Pogba, Griezmann e Mbappé.

5) Das seleções figurantes, destaques para Irã, Dinamarca, México, Suécia, Coreia do Sul e Japão, que mostraram evolução em relação aos torneios anteriores, tendo cada uma delas pelo menos um dia de glória. O Irã segurou Cristiano Ronaldo, a Dinamarca foi o único adversário que a França não conseguiu derrotar, o México superou a tetra Alemanha, a Suécia chegou entre os oito primeiros colocados pela sétima vez, a Coreia do Sul também ganhou da campeã de 2014, e o Japão assustou a Bélgica, de que só perdeu nos acréscimos.

6) Grandes estrelas, por uma ou outra circunstância, falharam. Por ordem alfabética: Andrés Iniesta, Cristiano Ronaldo, Falcao, Lionel Messi, Luis Suarez, Mohammed Salah, Neymar, Thomas Müller e Robert Lewandowski foram meros participantes.

7) A África, mais uma vez, não justificou as cinco vagas que a Fifa dá ao continente em Copa do Mundo para assegurar os votos dos seus 54 membros em eleições distintas. Egito, Marrocos, Nigéria, Senegal e Tunísia somaram 10 derrotas, dois empates, duas vitórias, 26 gols contra e 16 a favor. Nenhuma passou da primeira fase.

8) A seleção da Copa poderia ter: Hugo Lloris (França), Sime Vrsalijko (Croácia), Domagoj Vida (Croácia), Samuel Umtiti (França) e Ricardo Rodriguez (Suíça); Paulo Pogba (França), Kevin de Bruyne (Bélgica), Eden Hazard (Bélgica) e Luka Modric (Croácia); Kylian Mbappé (França) e Antoine Griezmann (França). Técnicos: Didier Deschamps (França) e Zlatko Dalic (Croácia). No banco, Jordan PIckford (Inglaterra), Raphael Varane (França), John Stones (Inglaterra), Denis Cheryshev (Rússia) e Harry Kane (Inglaterra).

9) Como acontece desde a primeira Copa, em 1930, novos nomes engrossarão as fileiras dos jogadores que foram campeões mundiais, mas que você deles jamais se lembrará, ou pior, nunca ouviu falar. Os felizardos de 2018 são Adil Rami, Alphonse Areola, Djibril Sidibé, Florian Thauvin e Presnel Kimpembé. Dá para imaginar o pensamento de Cristiano Ronaldo ou de Messi, para ficar só nas bolas da vez, na hora de dormir. “O Rami e o Thauvin ganharam a Copa e eu não. Vou tomar um Lexotan”.

10) Apesar de um ou outro equívoco, o VAR funcionou, e a Fifa precisa tomar providências para que a sua utilização seja adotada em todos os campeonatos de primeira divisão, no mundo inteiro, até a próxima Copa. Graças ao VAR, as arbitragens acabaram não sendo muito questionadas.

A propósito, o que seria da França sem os imigrantes? A exemplo do que ocorreu em 1998, vários campeões mundiais têm origem no exterior, notadamente nas antigas colônias na África. Acompanhem a de cada um.

– Adil Rami – pai e mãe do Marrocos

– Benjamin Mendy – pai e mãe do Senegal

– Blaise Matuidi – pai de Angola e mãe da República Democrática do Congo

– Corentin Tolisso – pai do Togo

– Djibril Sidibé – pai e mãe do Mali

– Kylian Mbappé – pai de Camarões e mãe da Argélia

– Lucas Hernandez – mãe da Espanha

– Nabil Fekir – pai e mãe da Argélia

– N’Golo Kanté – pai e mãe do Mali

– Ousmane Dembelé – pai do Mali e mãe da Mauritânia

– Paul Pogba – pai e mãe da Guiné

– Presbel Kempembé – pai da República Democrática do Congo e mãe do Haiti

– Raphael Varane – natural da Martinica, possessão no Caribe

– Samuel Umtiti – natural de Camarões

– Steve Mandanda – natural da República Democrática do Congo

– Steven Nzonzi – pai da República Democrática do Congo

– Thomas Lemar – natural de Guadalupe, possessão no Caribe.