O ritmo acelerado e incessante que o Flamengo mostrou no empate de 1 a 1 com o Grêmio, no jogo de ida da Copa do Brasil, impressionou a todos. O Rua Paysandu caminhou feliz – mesmo sob a chuva – na manhã de quinta-feira por Copacabana, Gávea, Ipanema, Jardim Botânico e Leblon.

E ouviu a voz rouca das ruas, agravada pela baixa temperatura e pela gritaria provocada pelo gol de Lincoln nos acréscimos, afirmar com alegria – no que concorda este site – que nem o time de Zico – o mais vencedor da história rubro-negra – conseguiu pressionar o Grêmio em Porto Alegre, como ocorreu ontem, diante de 40 mil gaúchos.

Mas não é preciso ser especialista em Educação Física para saber que será impossível manter a fantástica movimentação nos próximos oito jogos que o time disputará em agosto, entremeado por viagens, contra adversários fortes, por três competições distintas, cada uma com as suas particularidades.

Assim, é óbvio concluir que o técnico Maurício Barbiéri será praticamente obrigado a aproveitar todas as figuras do elenco, para evitar o desgaste excessivo dos profissionais. A escalação de times reservas, ou “alternativos”, como se diz agora, já foi condenada neste site em algumas ocasiões. E continuará sendo. É loucura trocar 11 peças de uma partida para a outra, notadamente no Brasileiro, quando três pontos estarão sempre em jogo.

No entanto, dada a situação que se apresenta, não parecerá absurdo aceitar um revezamento, desde que realizado com absoluto critério. E para não ficarmos aqui restritos a uma discussão sem qualquer profundidade, é necessário afirmar que a decisão de poupar é invariavelmente tomada por todas as pessoas que formam uma Comissão Técnica.

E que essa, é evidente, elabora um relatório, que utiliza princípios científicos, e que informa o treinador sobre as condições gerais dos atletas. O procedimento é uma evolução da preparação física.

Tais métodos praticamente inexistiam até a década de 1990, dado que acompanham todos os níveis de resistência dos integrantes de um time de futebol, e a possibilidade do aproveitamento maior ou menor de cada um ao longo das competições disputadas ao longo do ano.

Parece que também não há como questionar – notadamente o leigo – a competência dos profissionais. Os treinadores mais jovens estão hoje devidamente alinhados aos conceitos dos demais preparadores, e embora a maior responsabilidade caia sempre sobre os seus ombros, acabam acatando as decisões da CT, pois caso algum jogador, notadamente se for o craque do time, sofrer alguma contusão mais grave, a cobrança será insuportável.

É interessante lembrar que o “time alternativo” não trouxe resultados favoráveis ao Flamengo em 2018. Foram duas derrotas malditas no Estadual – 0 a 1 para o Macaé e 0 a 4 para o Fluminense – e outra de 2 a 3 para a Chapecoense, no Brasileiro. Logo, o que resta saber é qual o critério exato que Barbiéri e a sua CT adotarão para agosto, para evitar que este seja apenas o mês do desgaste, e não do desgosto.