Muitos dirão que a diferença de pontos para os líderes é pequena. E que há um turno inteiro para ser disputado. Mas a derrota vergonhosa de 3 a 0 para o Atlético Paranaense, penúltimo colocado, em Curitiba, deixou evidente que o Flamengo – hoje fantasiado, como exige o Carnaval, de azul  – não tem possibilidade de brigar pelo Brasileiro.

O time dificilmente consegue ganhar fora de casa. Nessas ocasiões, basta ao adversário pressionar a partir da saída de bola, e aproveitar uma ou duas das muitas oportunidades que passa a criar, para determinar a desgraça rubro-negra. Assim, o problema básico não é a distância para o primeiro colocado. Nem o fato de o campeonato estar apenas na metade. Mas a falta de atitude, ou a maneira descompromissada com a qual o Flamengo encara as partidas, se apresentando, vez por outra, como se fosse apenas disputar uma pelada entre solteiros e casados. A queda diante dos reservas do Grêmio, no último dia 4, levando-se em conta apenas o Brasileiro, já havia antecipado tal visão.

Há ainda a tabela que levará o São Paulo a dispara na liderança: Chapecoense, hoje, em casa, Paraná, quarta, em Curitiba, Ceará, dia 26, novamente no Morumbi, onde também receberá o Fluminense, em 2 de setembro.

Falamos em falta de atitude. Hoje, por exemplo, com apenas cinco minutos, já era possível observar que a velocidade da equipe local era absolutamente superior, tanto que fez 3 a 0 antes da metade do primeiro tempo. Neste espaço de tempo, apenas um detalhe: aos 13, Santos rebateu arremesso fortuito de Rodinei, e Vitinho, livre, desperdiçou a chance, chutando para nova defesa do goleiro. O empate, ali, poderia até mudar a história da partida. Mas o fato é que a bola não entrou. E o baile do Atlético continuou. A propósito: em lance idêntico, contra o Flamengo, no Beira Rio, em 2016, o atacante fez o gol da vitória do Inter, 2 a 1, que praticamente tirou as chances do time carioca seguir lutando pelo título.

E creiam: poupar jogadores não foi determinante. Futebol é esporte coletivo. Logo, é provável que a leseira – moleza, preguiça, no dicionário – fosse a mesma. E parece que também não adianta trocar o treinador, pois o problema é conceitual, e de uns tempos para cá, frequente. Além disso, o Atlético também apresentava desfalques. Os dois zagueiros eram reservas. E prossegue o tabu: 44 anos sem vencer adversário em Curitiba. O Flamengo, num todo, não consegue entender que cada jogo do Brasileiro, na prática, é uma decisão, que isso não é lugar-comum. Daí as muitas decepções. O importante, agora, é apostar tudo na Copa do Brasil.

FLAMENGO 0 x 3 ATLÉTICO / PR

Data: Domingo, 19 de agosto de 2018.

Competição: Campeonato Brasileiro / 19ª rodada.

Local: Estádio Joaquim Américo Guimarães / Arena da Baixada, em Curitiba / PR.

Público: 22.061 espectadores.

Arbitragem: Igor Júnio Benevenuto de Oliveira, Felipe Alan Costa de Oliveira e Ricardo Júnio de Souza / MG.

Cartões amarelos: Vitinho 26’, Pablo 51’, Léo Pereira 75’, Zé Ivaldo 78’,

Gols: Pablo 9’, Raphael Veiga 16’, Zé Ivaldo 21’, .

FLAMENGO: César, Rodinei, Léo Duarte, Thuler e Renê; Cuellar, William Arão (Marlos Moreno – intervalo), Lucas Paquetá e Éverton Ribeiro (Geuvânio 73’); Vitinho e Uribe (Lincoln 65’). Técnico: Maurício Barbiéri.

ATLÉTICO: Santos, Jonathan, Zé Ivaldo, Léo Pereira e Renan Lodi; Wellington, Lucho Gonzalez (Bruno Guimarães 65’), Nikão (Anderson Plata 82’) e Raphael Veiga (Bruno Nazário 73’); Marcinho e Pablo. Técnico: Tiago Retzlaff Nunes.