O placar final no Durival de Brito – Flamengo 4 x 0 Paraná – refletiu com perfeição a diferença dos clubes na tabela do Brasileiro: o carioca, agora vice-líder, e o de Curitiba, rebaixado, hoje com 16 partidas sem vitória. Assim, se as posições de ambos, e as circunstâncias do campeonato, não permitiam nenhum vacilo, o Rubro-Negro, ao contrário dos tempos de Maurício Barbiéri, quando era sobretudo frouxo e sem inspiração, não deu praticamente nenhuma chance ao adversário. Assinalou os gols nos momentos certos, e só tem a lamentar – caso não ocorra algum milagre que possa levá-lo ao hepta – os pontos perdidos no empate de 2 a 2 com o América / MG, em Belo Horizonte, e a derrota de 1 a 0 para o Ceará, no Maracanã.

O Paraná começou tentando impedir o Flamengo de sair jogando, mas em menos de cinco minutos o time da casa já estava acuado, o suficiente para tomar o primeiro gol, aos 18: Deivid deu de presente para Uribe, que lançou Lucas Paquetá, que bateu cruzado, abrindo o placar. O Rubro-Negro continuou mandando na partida, e com um pouco menos de capricho poderia ter ampliado, ou até decidido antes do intervalo. Mas não o fez, embora tenha criado oportunidades. Assim, ficou para a etapa derradeira a necessidade de marcar outra vez com alguma rapidez, para evitar sofrimento no fim, apesar da flagrante fragilidade do adversário.

Já sem muito a perder, o Paraná voltou com um atacante, Rafael Alemão, na vaga de um zagueiro, Renê Santos, que saiu machucado. A troca sugeria que a equipe da Vila Capanema seria essencialmente ofensiva, mas só fez, na prática, torná-lo ainda mais confuso. Aos seis minutos, Rayan rebateu mal, e Vitinho apanhou a sobra de canhota, para enfiar 2 a 0. Aos 15, Vitinho deixou Uribe livre, e ao colombiano bastou deslocar Richard, que deixava a baliza: 3 a 0. Daí em diante, o Flamengo passou a privilegiar o toque de bola, esperando o tempo passar, cuidando de substituir os jogadores que estavam pendurados por cartões amarelos – Éverton Ribeiro, Vitinho e William Arão. Aos 36 minutos, uma alma inteligente que estava na arquibancada descobriu que o saldo de gols é da maior importância, e o público deixou de solicitar olé – ridículo diante de um time que não vence faz três meses – e a gritar “mais um”. E Henrique Dourado, sozinho, meteu 4 a 0.

Vale lembrar que o Internacional recebe o Santos amanhã, segunda-feira, no Beira-Rio. Dá-lhe Peixe!

CRITÉRIOS PARA DESEMPATE POR ORDEM DE IMPORTÂNCIA

1 – Vitórias: Palmeiras 19 / Flamengo 18

2 – Saldo: Palmeiras 28 / Flamengo 26

3 – Gols pró: Palmeiras 47 / Flamengo 48

4 – Confronto direto: 1 x 1, no turno, em São Paulo

JOGOS QUE RESTAM

31ª rodada – Palmeiras – Rio de Janeiro

32ª rodada – São Paulo – São Paulo

33ª rodada – Botafogo – Engenhão

34ª rodada – Santos – Rio de Janeiro

35ª rodada – Sport – Recife

36ª rodada – Grêmio – Rio de Janeiro

37ª rodada – Cruzeiro – Belo Horizonte

38ª rodada – Atlético Paranaense – Rio de Janeiro

FLAMENGO 4 x 0 PARANÁ CLUBE / PR

Data: Domingo, 21 de outubro de 2018.

Competição: Campeonato Brasileiro / 30ª rodada.

Local: Estádio Dorival de Brito e Silva / Vila Capanema, em Curitiba / PR.

Público: 4.271 pagantes / 5.143 presentes / 872 gratuidades.

Arbitragem: Bráulio da Silva Machado, Kléber Lúcio Gil e Neuza Inês Back / SC.

Expulsão: Rafael Alemão 70’ / falta desleal em Renê.

Gols: Lucas Paquetá 18’, Vitinho 57’, Uribe 60’ e Henrique Dourado 90’..

FLAMENGO: César, Pará, Réver, Léo Duarte e Renê; Cuellar, William Arão (Henrique Dourado 72’), Lucas Paquetá e Éverton Ribeiro (Diego 65’); Vitinho (Geuvânio 69’) e Uribe. Técnico: Dorival Silvestre Júnior.

PARANÁ CLUBE: Richard, Júnior, Renê Santos (Rafael Alemão – intervalo), Rayan e Igor; Jhonny Lucas, Alex Santana, Deivid (Jean Lucas 60’) e Mansur; Rafael Grampola e Silvinho (Leandro Vilella 77’). Técnico: Luiz Eduardo Barros Cavalcanti – Dado Cavalcanti.